Família faz sucesso com hostel na favela da Rocinha

A família de Oberdan Basilio usou a Copa do Mundo para criar um negócio; hoje, mais de 500 pessoas já passaram pelo Rocinha Guesthouse, que agora se prepara para as Olimpíadas.

São Paulo – A Rocinha é a maior favela da América Latina. Lá, há muitas histórias de quem empreendeu por necessidade – sendo que alguns têm sucesso com a empreitada.

Esse é o caso dos irmãos Vinícius e Oberdan Basilio: eles passaram de um quarto alugado na própria casa para a criação de um hostel (espécie de hotel mais simples do que de costume, com um menor preço) no coração da favela, que recebe diversos turistas interessados em conhecer o cotidiano da comunidade.

Hoje, o chamado Rocinha Guesthouse possui três quartos disponíveis para alugar. Em pouco mais de quatro anos de negócio, o hostel já recebeu cerca de 300 hóspedes. Mais do que isso: eles encontraram uma profissão.

História

Oberdan conta que a ideia do hostel começou em 2010, com seu irmão. O Brasil havia sido escolhido para ser sede da Copa do Mundo de 2014, e veio a ideia de alugar um dos quartos na casa onde moram os irmãos e a mãe (ao todo, são três quartos). O plano se concretizou em 2011.

“Minha mãe achou uma ideia louca, colocar dentro de casa pessoas estranhas, nem sabendo a língua delas. Mas acabamos fazendo, alugando o quarto dele mesmo”, conta Oberdan.

No começo, Oberdan não pensava em participar do negócio, já que o irmão falava inglês e se virava bem sozinho. No fim de 2011, porém, Vinicius contou que iria morar na Austrália. O hostel, que já era um negócio, ficou nas mãos de Oberdan.

Adaptação

O Rocinha Guesthouse inaugurou oficialmente em janeiro de 2012, sob os cuidados de Oberdan e sua mãe. Porém, nenhum dos dois tinha experiência em gestão e muito menos falavam inglês.

A ficha só caiu quando o primeiro hóspede chegou, diz o empreendedor. “A gente só tinha aquele um quarto. Minha mãe falou ‘vamos investir, ver como vai ser’. Fizemos toda a reforma pensando no Carnaval daquele ano.”

Por sorte, havia um australiano hospedado naquele momento. Oberdan fez um acordo: em troca de aulas de inglês, o hóspede poderia comer de graça no hostel. O australiano ficou por um ano no Rocinha Guesthouse: as aulas começaram em junho daquele ano, e foi assim que Oberdan aprendeu o idioma.

“O que me motivou a estudar foi o comentário negativo de uma hóspede: ela falou que gostou do hostel, que a favela era boa, mas que o staff não falava inglês. Pensei que tinha de melhorar, senão o hóspede iria para um lugar que falasse inglês. Não saía de casa, ficava estudando e conversava com os gringos. Aprendi basicamente sozinho, e ninguém acredita.”

O empreendedor já tinha uma página no Facebook para o hostel, mas não sabia direito o que postar. Após a reforma do Carnaval, criou um site para o negócio (http://www.rocinhaguesthouse.com/); com as aulas, passou a postar em inglês na página do Facebook e isso atraiu mais hóspedes.

Hoje, todos os posts são nesse idioma, já que a grande maioria dos clientes são estrangeiros; em suas postagens, Oberdan conta mais sobre o dia a dia na favela. O empreendedor coleciona casos de hóspedes que ficaram meses no hostel e outros que voltam toda vez que viajam ao Rio de Janeiro.

Enquanto ele fala com os hóspedes, a mãe cuida da cozinha e da limpeza do negócio. Agora, ele estuda hotelaria. “Tudo que eu sei hoje de cuidar de um negócio eu aprendi pela experiência. Quando um hóspede chega, hoje eu já sei o que ele espera. O negócio também me possibilitou saber o que eu gostaria de fazer, que é trabalhar e aprender mais sobre hotelaria.”

Serviços extras

Com a Copa do Mundo de 2014, o irmão de Oberdan voltou para o Brasil e passou a cuidar do Rocinha Guesthouse junto com Oberdan. Com essa ajuda, o empreendedor conseguiu oferecer mais serviços associados ao hostel.

Agora, além dos serviços de hospedagem, Oberdan realiza tours pela favela da Rocinha, atuando como guia. “O hóspede chegava e eu mostrava a comunidade para ele. Aí minha mãe perguntou por que eu não passava a cobrar por esse serviço. Seria uma renda extra.

Oberdan afirma que, além do hostel, o comércio ao redor também lucra com essas visitas. “Se um hostel de fora da Rocinha cobra 120 reais a diária, eu cobro uns 70, 80 reais. Mas, na verdade, esse hóspede vai pagar mais de 120 reais por dia na comunidade. Não sou só eu que estou ganhando.”

Planos

Com a chegada das Olimpíadas de 2016, Oberdan conta que pretende contratar um funcionário para o hostel, por conta do movimento esperado. Também irá reformar um novo quarto, que virará uma suíte.

Além disso, ele percebe uma mudança no público: além dos estrangeiros, mais brasileiros estão procurando a Rocinha Guesthouse. “O brasileiro se sente mais seguro porque vê que outras pessoas já foram, e elas nem falavam português. Agora, ele pensa: ‘por que eu também não posso curtir ficar lá?’”, diz o empreendedor.

Veja um vídeo que o Facebook fez sobre o Rocinha Guesthouse, com o resumo da história:

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