Model 3: a resposta da Tesla

Você pagaria 1.000 dólares para encomendar um carro que só vai ficar pronto em meados de 2017? O modelo ainda não existe, e custa 35.000 dólares. Pois, na última semana, 325.000 americanos fizeram isso para garantir que estarão na primeira leva de clientes a receber o Model 3, o mais novo lançamento da fabricante de carros elétricos Tesla. A Tesla foi fundada por Elon Musk, o mesmo empresário que na semana passada conseguiu fazer um foguete de sua empresa espacial, a SpaceX, pousar num navio.

Mas, em termos de negócios, o feito da Tesla foi mais impressionante. O Model 3 custa metade do modelo mais barato da montadora, e deve popularizar de vez os carros elétricos. Será ainda o primeiro veículo da marca a ganhar os mercados emergentes de Índia, África do Sul e Brasil. O número de concessionárias deve aumentar de 215 para 441 em todo o mundo até o final do próximo ano. De quebra, Musk mostra à concorrência que não está disposto a facilitar a vida das grandes montadoras no mercado que ele mesmo criou.

Uma prova de que o nicho de carros elétricos será o mais disputado entre as montadoras dos próximos anos foi dada no Salão do Automóvel de Genebra, em março. Os carros elétricos e híbridos foram protagonistas — principalmente para as grandes montadoras. Audi, Porsche, Mitsubishi, Volkswagen, Toyota, Renault, Nissan, Honda, Suzuki, Fiat, Volvo, Citroën, Peugeot e Mercedes-Benz apresentaram novos modelos híbridos, elétricos ou com tecnologias que reduzem o impacto ambiental.

Em paralelo, as coreanas Hyundai e Kia, e até a Morgan, tradicionalíssima montadora inglesa, lançaram modelos ecológicos pela primeira vez em sua história. Nunca tantas montadoras tradicionais haviam apresentado carros ecológicos num mesmo evento.

Até pouco tempo, os carros verdes eram pouco práticos, caros e pouco potentes. Agora os novos modelos parecem cada vez mais com carros de verdade — inclusive no preço. O maior avanço foi tecnológico. As recentes evoluções das baterias de íon-lítio pavimentaram o caminho para o desenvolvimento de motores potentes, capazes de competir com os movidos a gasolina. Isso, aliado a regulações mais severas de emissão de gases de efeito estufa — para vender carros na Califórnia, por exemplo, uma montadora precisa produzir certa quantidade de veículos verdes —, permitiu a popularização dos elétricos.

Com o lançamento do Model 3, e a chegada das grandes montadoras, a expectativa é que os carros elétricos se popularizem de vez. Segundo o ABI Research, instituto britânico de pesquisa de mercado, as vendas anuais de veículos com alguma tecnologia de motores elétricos vão crescer de 2 milhões de unidades, em 2015, para mais de 6 milhões em 2020. “Com mais montadoras abaixando preços, oferecendo possibilidades de escolha e melhor desempenho, os carros elétricos estão prestes a deixar seu nicho ecológico, o que é ilustrado por companhias como BMW, Daimler e Volkswagen investindo muito nesse setor”, diz o relatório.

Até 2020, o plano da Tesla é saltar de 50.000 para 500.000 unidades anuais. É um salto enorme, mas apenas uma fração da produção de uma montadora consolidada. A GM, por exemplo, produz 9 milhões de carros por ano e já tem a meta de vender 30.000 elétricos em um ano —marca que a Tesla levou uma década para atingir.

Em 2015, a Tesla alcançou 32 bilhões de dólares de valor de mercado, superior ao da Chrysler, uma das três maiores montadoras dos Estados Unidos. Porém, ao contrário das grandes, a Tesla não possui uma margem de segurança grande para investir em lançamentos. Seu faturamento é baixo e a empresa nunca deu lucro. Em meados de 2015, possuía pouco mais de 1 bilhão de dólares em caixa. A GM, por sua vez, tinha mais de 28 bilhões na mesma época.

“A Tesla é muito boa em produzir veículos, mas não é boa em gerar lucros”, diz Levi Tillemann, autor do livro The Great Race: the Global Quest for the Car of the Future, a EXAME. “Sim, ela investe muito em infraestrutura e seu valor de mercado é alto. Porém, em algum momento ela precisará começar a competir no aspecto financeiro também — como BMW, Google e Apple”. O Model 3 é a maior aposta para que isso aconteça. Mas só em 2018.

(Paula Gondim) 

 

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