Os cuidados ao exercer a liderança em uma empresa familiar

Faz parte desse desafio desenvolver a habilidade de lidar com as influências de familiares que, não raramente, interferem de forma aberta ou velada no processo decisório e estratégico da empresa.

Os cuidados ao exercer a liderança em uma empresa familiar
Escrito por Maria Cristina Ortiz de Camargo, especialista em comportamento 

Pesquisas comprovam que empresas de propriedade ou controle familiar desempenham um papel muito importante na economia dos países onde atuam. Apesar de inúmeras historias de sucesso, também é sabido que muitas não resistem ao tempo devido a problemas de liderança e gestão. Dados demonstram que apenas 30% das empresas familiares resistem até a segunda geração e apenas 12% até a terceira. Mesmo com todos esses desafios, as empresas familiares são grandes empregadoras, portanto há uma grande chance de fazermos parte dessas organizações ao longo de uma carreira profissional.

Diferentemente das organizações, em que a cara do dono já foi substituída por estratégias vencedoras, que buscam a lucratividade, essas empresas estão alicerçadas em sólidas culturas familiares e com as características peculiares de cada família. Exercer a liderança nesse tipo de ambiente implica em respeitar e compartilhar de um conjunto de valores, presentes nas decisões e ações no dia a dia dessas empresas.

Faz parte desse desafio desenvolver a habilidade de lidar com as influências de familiares que, não raramente, demonstram ter uma agenda oculta, interferindo de forma aberta ou velada no processo decisório e estratégico da empresa.

Atender aos vários egos não é uma tarefa fácil para a liderança, que não faz parte da estrutura familiar da empresa, portanto algumas competências são cruciais para a sua continuidade e bom desempenho. Dentre elas podemos citar: a flexibilidade e o jogo de cintura para conciliar opiniões divergentes, sem colocar em risco os resultados do negócio; a destreza para conquistar autonomia nas decisões e estar sempre em conformidade com a cultura vigente; a capacidade de negociação em momentos de disputas entre seus membros; ser diplomático, sem perder o foco em situações conflitantes, garantindo assim uma boa governança. Enfim, aprender a crescer em funções complexas e desafiadoras.

Todas essas habilidades são consideradas essenciais para que a liderança atinja seus objetivos e consiga um bom desempenho em uma empresa de estrutura familiar. Fundamental, porém, é que os valores e a visão desses empreendedores sejam sua fonte de inspiração e motivação, pois a estratégia de crescimento de uma empresa familiar não vislumbra apenas o próximo trimestre, mas o legado que deixará para as próximas gerações e o autêntico desejo de perpetuar sua marca. 

Maria Cristina Ortiz de Camargo é especialista na área comportamental e docente da BSP – Business School São Paulo.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s