Sua empresa vai mal? Veja 5 passos para mudar essa situação

Com a crise, diversas companhias pioraram sua situação financeira e certamente algumas delas pararão de operar. Não deixe que seu negócio siga esse caminho:

Como mudar os rumos de uma empresa que vai mal?
Escrito por Ricardo Mollo, especialista em empreendedorismo

Infelizmente, com o prolongamento da crise política que o Brasil está passando, diversas companhias pioraram sua situação financeira e certamente algumas delas pararão de operar.

Porém, apesar do momento difícil, não adianta ficarmos lamentando, nem reclamando. Precisamos ver a crise como oportunidade de desenvolvimento e evolução, de aumento de resiliência e de melhoria de eficiência. Quem conseguir passar pela crise tende a ficar mais forte depois dela. Então, o que fazer quando a empresa vai mal, para que ela supere essa fase?

1. Entenda por que sua empresa vai mal

Quais os motivos da crise na companhia? É algo que apareceu por causa da crise do país ou foi por algum sintoma ruim do passado que não foi tratado devidamente? Assim como não existe um remédio único que trata todas as doenças, o mesmo acontece com os negócios.

Ou seja: há soluções diferentes para cada tipo de problema. É importante que percebamos que algo não vai bem e que, se continuarmos assim, podemos entrar em crise; com essa percepção, podemos agir imediatamente. É como quando ficamos doentes: quanto mais protelamos o tratamento, pior a evolução da doença e mais dura será a recuperação.

2. Olhe à sua volta

Outro fator importante é entender se, no setor, sua companhia é a única em crise ou se as outras também estão na mesma situação. Entender a competitividade da sua companhia é chave para traçar o caminho para a reestruturação e para imaginar que conseguirá sair da crise. Neste momento, provavelmente a maioria das empresas do seu setor pode estar com dificuldades, mas é relevante saber se a crise do país o levou a esta situação de dificuldade ou se sua empresa já estava ruim antes da crise e piorou porque era vulnerável.

É absolutamente vital para uma companhia perceber sinais precoces de problemas. É sempre melhor agir antes da crise. Os sinais mais evidentes são: aumento de dívidas, diminuição de rentabilidade, dificuldade nas vendas, falta de competitividade, perda de funcionários chave, avanços maiores da concorrência, prejuízos sucessivos, perdas de crédito e de clientes importantes, aumento de inadimplência e conflitos entre sócios.

Conforme mencionado anteriormente, é imprescindível saber o motivo dos problemas para que se formule um plano de ação para sua resolução. Algumas vezes, as causas da crise podem ser diversas e  os problemas vão se adicionando com o passar do tempo.

As causas mais frequentes são: má administração, alavancagem financeira excessiva, baixa rentabilidade, altos custos e despesas fixas, falta de competividade nas vendas, má gestão de compras e de estoque, baixas margens em negócios de alta rivalidade, baixa diferenciação, alta inadimplência, concentração de vendas em clientes com problemas, concentração de vendas com governo com atrasos de recebimento, exposição cambial sem hedges, dependência de importação, ineficiência operacional, mudança de leis ou de impostos, fraudes, multas, falta de crédito e briga entre acionistas.

3. Avalie se reestruturar é o caminho

Com os motivos da crise identificados, antes de montar o plano é prudente entender se ainda há tempo para se reestruturar. Muitas vezes, é melhor para os acionistas tomarem uma medida mais definitiva, como vender a companhia ou mesmo procurar um advogado para entrar com procedimentos judiciais, como a recuperação judicial.

Às vezes, insistir em reestruturação pode não ser a melhor opção, especialmente quando não temos mais competitividade, quando já reestruturamos diversas vezes ou mesmo quando os resultados, ao invés de melhorar, só estão piorando.

Caso a decisão seja de seguir adiante com a reestruturação, procure montar um plano de ação emergencial que durará por volta de três meses e um plano de estabilização de no máximo um ano. Lembre-se: aja rápido. Não há tempo a perder, pois a crise se alastra rapidamente.

4. Vai reestruturar? Busque capital e faça cortes

Um dos passos críticos de uma reestruturação é garantir caixa para esta fase mais dura. Assim, busque uma capitalização com os sócios, venda ativos ou consiga crédito extra antes de iniciar o processo.

Defina claramente as metas da reestruturação e dê incentivos para o time na busca destas metas. Identifique rapidamente potenciais ganhos extras e evoluções na eficiência operacional. Feche unidades ociosas, liquide estoques e reduza ao máximo o capital de giro empregado na companhia. Busque acordos melhores com fornecedores e renegocie dívidas. Diminua gastos ao máximo sem perder qualidade. Identifique e corte todos os drenos de caixa.

É o momento de rever a tática e de ser criativo. Faça dentro do plano de estabilização uma revisão dos planos de negócio, de gastos e investimentos. Procure ser mais cuidadoso financeiramente e faça reservas, seja na companhia ou na pessoa física. Para sair da crise, é necessário ter obstinação por redução de custos e gastos. Temos que dar muito valor para cada centavo que a empresa gasta. Precisamos ser mais econômicos e aprendermos a viver com menos gastos, luxos e excessos.

5. Seja um líder

Um dos fatores mais relevantes num processo de estruturação é o papel da liderança. Como reestruturar uma empresa é algo difícil, o líder precisa ser forte, motivado, disciplinado e determinado a resolver a difícil situação pela qual a empresa passa.

Nem sempre o melhor líder é a pessoa que está à frente do negócio neste momento. É necessário que tenha perfil resiliente, conciliador e que aja completamente integrado à execução do plano.

Às vezes, são necessários passos para trás para voltarmos a evoluir e talvez considerararmos que é melhor sacrificar algo agora do que esperar e comprometer tudo o que foi construído ao longo dos anos.

A crise do país vai passar; porém, alguma companhias ficarão pelo caminho. Faça o seu time reagir o mais rápido possível. A empresa inteira tem que estar comprometida em passar pela fase dura. Pare de reclamar dos políticos e não se conforme com a situação difícil. Enquanto muitos ficam reclamando, para você é a hora de dobrar os esforços e lutar pela sobrevivência. Mantenha o positivismo e faça acontecer.

Ricardo Mollo é empreendedor, professor da pós-graduação em finanças do Insper e PhD candidate na University of London. 

Envie suas dúvidas sobre finanças empresariais para pme-exame@abril.com.br.

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