Você tem o que precisa para ser o líder que esperam de você?

Houve uma época em que os líderes eram aqueles que tinham o controle e o que reinava era a previsibilidade. Hoje não é mais assim. Você está preparado?

Você tem o que precisa para ser o líder que esperam de você?
Escrito por Camilla Junqueira, especialista em empreendedorismo

Há alguns dias assisti a um vídeo do Ricardo Guimarães sobre o momento único em que vivemos. Um momento de transição, em que ainda estamos muito apegados ao modo como costumávamos fazer as coisas, mas elas muitas vezes não funcionam mais, ou não geram os resultados de antes. Um momento com plataformas surgindo, tecnologias nascendo e novas gerações com DNA muito mais crítico e questionador.

Como disse o próprio Ricardo, “transição é uma fase em que as coisas não funcionam mais como funcionavam, e ainda não funcionam como irão funcionar.” E é exatamente esse momento de grandes mudanças e aceleração do tempo que nos obriga, como líderes, a estar em constante e eterna adaptação.

O líder de antes

Houve um tempo não muito distante em que existia uma grande concentração de poucas instituições poderosas, com hierarquia clara, que exigiam que o indivíduo, para ser aceito, aprendesse a regra do jogo, submetendo-se ao grupo e abrindo mão da sua individualidade. Os líderes eram aqueles que tinham o controle, e eram vistos como referência exatamente por seu grau de certeza. Por mostrar aos outros o que eles sabiam que estava ali, por dar as respostas.

O que reinava era a estabilidade e previsibilidade. O processo era lento, e as melhores práticas do passado eram suficientes para lidar com os problemas futuros, simplesmente porque eles eram praticamente os mesmos. Demorava muito para a informação chegar, e qualquer mudança era percebida com tempo de sobra para planejar novas rotas.

O líder em transição

Com a evolução dos meios de comunicação, vivemos a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento. A troca de informação foi acelerando de tal forma que chegou ao ponto de se tornar simultânea. A capacidade de criar, ter voz e mobilizar pessoas não depende mais de instituições. Não só passamos a consumir mais conteúdo, como também nos tornamos produtores ativos, com canais acessíveis, móveis e com potencial de alcance global.

A conexão em rede tornou o indivíduo mais bem informado e crítico, afetando radicalmente o comportamento desse mesmo indivíduo no mercado de trabalho. Sites como o Love Mondays, por exemplo, mostram que hoje não é mais a organização que escolhe. Você como líder também é escolhido.

Controle é uma palavra que parece que não combinar mais com a liderança que essa nova realidade exige. Então como se preparar para assumir esse papel do líder em transição?

Tenha o espírito explorador

Com tantas variáveis que influenciam o seu negócio, e com a rapidez com que a coisas mudam, é humanamente impossível que você tenha todas as respostas. Assuma chances de fazer diferente e se abrir para outras formas de enxergar a mesma coisa.

Um líder precisa ter a eterna capacidade de aprender e se adaptar, e isso começa com criar um clima que tolera riscos calculados e que estimula o time a experimentar, tendo métricas claras para avaliar os resultados de cada experimento.

Esteja atento a informações relevantes para aperfeiçoar o seu trabalho. Saiba ouvir e mostra que está aberto a isso. Faça novas e boas perguntas, ao invés de já querer as respostas.

E o mais importante, não tenha apego a manter as coisas como elas eram. Elas precisam ser reinventadas a todo o momento para que você consiga acompanhar as mudanças que já estão em curso. Parafraseando o fundador do Salesforce, Marc Benioff, “o que usamos hoje estará obsoleto em poucos anos. O passado não é nunca o futuro.”

Enxergue o seu negócio como um sistema vivo

Hoje não é possível mais enxergar os funcionários como peças de uma engrenagem, que apenas com bons processos e ordem garantirão o funcionamento do negócio como uma máquina. Enxergue o seu negócio como um sistema vivo, que tem em seus colaboradores células interativas e críticas, que interagem formando novas ideias e sugerindo soluções.

Hoje ainda vemos pessoas e áreas inteiras insistindo em se comportar como órgãos isolados e independentes, não se reconhecendo como parte do todo e correndo o risco de colocar todo o sistema em colapso.

O primeiro passo é reconhecer e demonstrar em pequenas ações do dia a dia que você precisa da participação de cada um e de todos, trabalhando com um propósito comum, para resolver os problemas. Tire as barreiras físicas que separam os times, crie momentos de trocas constantes com mais lugares comuns para as áreas interagirem, e sempre envolva times diferentes em um mesmo projeto para ampliar a visão.

Substitua controle por autonomia

Assuma que hoje simplesmente temos menos controle sobre todas as variáveis que influenciam os rumos dos nossos negócios. Desenvolva pessoas que tenham consciência do papel que exercem no todo, e que possam trazer uma visão crítica e propor mudanças baseadas em valores comuns.

Não tem jeito, como diria nosso conselheiro Fabio Barbosa, “contratamos profissionais, mas a pessoa insiste em vir junto”. Nesses novos tempos, isso é bom! Quanto mais diversidade e novas visões você conseguir trazer para o time, maior a possibilidade de ampliar a visão e estar preparado para as mudanças de rota que fatalmente acontecerão.

Estimule o time a assumir responsabilidade e ter autonomia para tomar decisões com base no seu próprio discernimento, bom senso e por que não, intuição.

O Tony Hsieh, da Zappos, conseguiu colocar esse conceito em prática e viu sua empresa crescer exponencialmente até ser vendida para a Amazon por mais de 1 bilhão de dólares.

Como ele mesmo coloca, “eu acho que, quando as pessoas dizem que temem ir para o trabalho na segunda-feira de manhã , é porque elas sabem que estão deixando um pedaço de si em casa. Por que não ver o que acontece quando você desafia seus funcionários para trazer todos os seus talentos para o trabalho e recompensá-los não para fazê-lo apenas como todos os outros, mas para ser aventureiro, criativo e de mente aberta, e tentar nova coisas?”

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