A expansão da Klabin agora virá de fora do Brasil

O enfraquecimento do mercado doméstico levou a centenária Klabin a focar o aumento das exportações — segmento que deverá representar 50% das vendas da companhia

São Paulo — O setor de embalagens é considerado um dos melhores termômetros da atividade industrial. Se a economia não vai bem, as fabricantes de embalagens são afetadas. Em 2014, não foi diferente. Com o produto interno bruto estagnado, o setor de embalagens no país apresentou recuo de 1,5% na produção física. Para piorar, a desvalorização do real deixou tudo mais complicado no mercado doméstico.

Apesar desse cenário adverso, a centenária Klabin, maior produtora brasileira de papéis para embalagem, encerrou o ano com lucro de 300 milhões de dólares. “A Klabin teve de lançar mão de flexibilidade na produção e de sua capacidade de exportar para fechar 2014 com resultado positivo”, diz Fábio Schvartsman, presidente da empresa.

A ideia de flexibilidade para uma companhia com 15 fábricas e produção anual de 2 milhões de toneladas de papéis não é algo de simples execução. Hoje, a Klabin produz dez tipos de papel, além de papelão ondulado para caixas e sacos industriais. São necessárias duas se­manas de ajustes para converter uma linha de produção de um tipo de papel para outro.

Já o redirecionamento de pro­dutos do mercado interno para o externo pode exigir meses de preparação — o que inclui a busca de clientes e a contratação de logística. Mas a atual fraqueza do mercado doméstico tem dado impulso às ambições da Klabin de ganhar mais participação no mercado internacional.

A expectativa é que, até o fim de 2015, de 35% a 40% das vendas sejam direcionadas para o exterior — o maior volume na história da companhia. Para 2016, o plano é que metade da receita venha das exportações. Todos os investimentos da empresa miram esse objetivo. Em 2014, uma série de equipamentos entrou em operação para aumentar a produção e melhorar a eficiência.

Entre eles está uma máquina de papel reciclado na fábrica de Goiana, em Pernambuco, orçada em 360 milhões de reais, que ampliará em 110 000 toneladas anuais a capacidade de produção. “A partir de agora, não precisamos mais mandar papel produzido no sul do país para lá”, diz Schvarts­man. “Isso reduz o custo do frete e libera a produção do sul para ser exportada.”

O maior avanço das exportações se dará em 2016, com a entrada em operação de uma nova fábrica de celulose. Batizada de projeto Puma, a unidade em construção na cidade de Ortigueira, no Paraná, é o maior investimento da história da Klabin — 6,8 bilhões de reais — e a fará dobrar de tamanho.

Inicialmente, a fábrica poderá pro­duzir 1,5 milhão de toneladas por ano: 1,1 milhão de toneladas de celulose de fibra curta (de eucalipto) e o restante de celulose de fibra longa (pínus). Cerca de 80% da produção de celulose de eucalipto será vendida pela Fibria.

Em maio, as duas empresas firmaram um contrato de seis anos, no qual a Fibria assume o compromisso de comprar esse volume, a ser inteiramente exportado. “Com a nova fábrica, voltaremos a exportar celulose, algo que a Klabin deixou de fazer em 2003”, diz Schvartsman. Sem dúvida, é um retorno em grande estilo.

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