Com pratos fora da caixa, eles vão faturar R$ 100 mi em 2016

Empreendedores gaúchos decidiram criar uma rede de franquias com pratos, digamos, fora da caixa e vão faturar 100 milhões em 2016.

São Paulo — Como criar uma start­up de sucesso? É uma daquelas perguntas que, apesar do esforço de muita gente, ninguém consegue responder. Livros e mais livros são escritos todo ano sobre o tema, mas não se encontra a fórmula.

Milhares de alunos de universidades de ponta do mundo inteiro debruçam-se sobre o tema: analisam casos de sucesso, exploram tendências de mercado e estudam anos a fio para tentar emplacar uma ideia. A taxa de sucesso, como se sabe, é baixíssima, o que prova a dificuldade de criar uma empresa que sobreviva à competição.

Os gaúchos Eduardo Silva, Gustavo Susin, André Hamquet e Regina Severo podem dizer que conseguiram — a empresa dos quatro, afinal, vai faturar 100 milhões de reais em 2016, apenas sete anos depois de sua fundação. A receita do sucesso? Vender croissants recheados com estrogonofe. E com bobó de camarão. E com filé. Isso ninguém ensina em Stanford…

Nos últimos cinco anos, a Croasonho (escreve-se assim mesmo) triplicou de tamanho até atingir um faturamento de 83 milhões de reais em 2015. Amigos de escola, Silva e Susin decidiram, uma década atrás, criar um negócio juntos. Só faltava a ideia. Procuraram em feiras de franquias, leram de tudo um pouco, mas foi na praia de Atlântida, no litoral gaúcho, que encontraram o que queriam.

Foi lá que conheceram a história do casal André e Regina, que faziam um sucesso danado desde 1997 vendendo na praia os tais croissants recheados. Regina antes foi dona de padaria, conhecia uma receita de croissant e deu a ela seu toque pessoal.

Em 1998, abriram uma loja. Susin e Silva primeiro abriram uma franquia, depois decidiram propor ao casal a transformação da Croasonho numa rede nacional, o que começou a ser feito em 2009. “A partir daí cada um foi fazer o que entende. Eu, a massa dos croasonhos; eles, expandir o negócio”, afirma André.

Pelo acordo, a dupla de amigos ficou com a operação da rede de franquias e divide meio a meio com o casal a propriedade da marca. Regina e André, por sua vez, cuidam da produção em duas fábricas, uma em Caxias do Sul, outra em Porto Alegre. Desde o começo, um não interfere no trabalho do outro. A rede vende meio milhão de croasonhos por mês, entregues congelados aos franqueados.

A grande variedade de recheios acabou vindo de uma necessidade do negócio. Como comer um croissant não é um hábito do brasileiro, muito menos no almoço, os dois sócios criaram um menu executivo com refeições tradicionais. E os mesmos ingredientes que vão para os pratos também podem ir para dentro dos croissants. Para surpresa de muita gente, a moda pegou.

Os recheios são preparados diariamente nas lojas e vão desde o tradicional presunto e queijo, carne de panela até opções da cozinha mexicana. A rede está em 14 estados e há variações regionais apenas nos temperos. Ao lançar novos recheios, os sócios buscam ingredientes acessíveis a todas as regiões.

O mais vendido, entre os salgados, é o de filé com requeijão e mussarela. Entre os doces, o de morango e chocolate. Se o varejo sente os efeitos da crise econômica, essas lojas não passam incólumes. Mas os efeitos são opostos. Se perdem consumidores para redes mais barateiras, empresas como a Croa­sonho atraem os clientes que abandonam restaurantes um pouco mais caros.

Um relatório do banco Credit Suisse mostrou que as redes de alimentação rápida estão roubando espaço das lojas de roupas nos shoppings. Uma prova de que a crise tem efeitos diferentes nos dois segmentos. O crescimento dessas redes no Brasil tem atraído o interesse de fundos de investimento.

No início do ano, a empresa financeira G5 coordenou a fusão de dois grupos de restaurantes de praça de alimentação de shoppings — a rede resultante tem mais de 300 lojas de marcas como Griletto e Montana. Redes como a Croasonho simbolizam a transformação do segmento de alimentação rápida — um fenômeno que acontece também fora do Brasil. A tendência é a especialização travestida de “inovação”.

Nos Estados Unidos, após a febre do iogurte grego, já há rede vendendo iogurte islandês. De dois anos para cá, os americanos também foram apresentados a um quitute que virou um fenômeno mundial — o “cronut”.

Nada mais é do que um donut com massa de croissant recheado. Lá, como cá, esse tipo de comida tem fãs e causa certo nojo em alguns recalcitrantes. Mas, se tudo continuar no ritmo em que está, é melhor se preparar: em breve, haverá um croissant com recheio de feijoada pertinho de você.

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