Como a startup CataMoeda transforma moedinhas em milhões

A startup CataMoeda está ganhando dinheiro suprindo varejistas com um item cada vez mais escasso em tempos de pagamentos eletrônicos — o troco

São Paulo — Entre as quinquilharias que muita gente costuma esquecer, nenhuma é tão comum quanto as moedas — que saem diretamente dos bolsos para o limbo eterno de estantes, gavetas ou porta-luvas. Calcula-se que metade das moedas em circulação no Brasil esteja perdida. São bilhões e bilhões de reais fora do mercado.

Com o aumento do uso de cartões de crédito e débito e de outros meios eletrônicos de pagamento, a tendência se acelerou. Para piorar, a inflação torna aquelas moedas ainda menos valiosas do que já eram, e assim pouca gente se importa em carregá-las. Resultado: está faltando troco, e como nunca, no varejo brasileiro.

E o empreendedor paulistano Victor Levy está transformando esse problema num modelo de negócios. Levy, um administrador que passou boa parte da carreira de executivo nos Estados Unidos, criou uma empresa que pretende ganhar dinheiro trazendo de volta ao comércio moedas esquecidas.

“Logo que voltei para o Brasil notei que em quase todas as lojas faltavam moedas, e sempre me pediam para ‘facilitar’ o troco”, diz Levy. Ele começou a pesquisar o tema e a buscar soluções. Uma iniciativa que serviu de exemplo foi a da americana CoinStar, que mantém quiosques para troca de moedas por cédulas.

Em duas décadas, estima-se que os quiosques da Coin­Star já tenham trocado mais de 350 bilhões de moedas. Depois de estruturar seu negócio, Levy estava pronto para lançar, em 2013, a empresa CataMoeda. O sistema funciona do seguinte modo: qualquer pessoa pode procurar uma máquina da empresa e depositar as moedas.

A máquina contabiliza o valor e oferece ao consumidor as opções de trocar as moedas por cédulas; receber um vale-compras; ou doar a quantia a uma instituição beneficente. “A loja onde está instalada a máquina pode retirar as moedas e usar nos caixas”, afirma Levy. O primeiro protótipo foi instalado numa loja da rede paranaense de supermercados Condor, em Curitiba.

“A máquina logo chamou a atenção dos clientes, e eles começaram a trazer moedas para depositar”, diz Adailton de Souza Santos, diretor financeiro da Condor. A empresa perdia até 28 000 reais por mês ao ter de arredondar valores por ausência de moedas. “Acabamos com a falta de troco.” 

Em pouco mais de dois anos de operação, a CataMoeda recebeu 51 milhões de moedas, ou 17 milhões de reais, em suas máquinas — hoje são cerca de 160 equipamentos instalados em 87 redes varejistas, que pagam 700 reais por mês pelo aluguel.

O grande impulso ao negócio se deu no ano passado, quando a CataMoeda fechou uma parceria com a espanhola Prosegur, uma das principais empresas de transporte de valores do mundo. Em vez de alugar o equipamento diretamente para os varejistas, a CataMoeda passou essa incumbência para a Prosegur, que também cuida da manutenção das máquinas.

Atualmente, a empresa instala, em média, 60 máquinas por mês. O faturamento deverá saltar dos atuais 4,5 milhões de reais para 26 milhões em 2016. Apesar do início promissor, há dúvidas sobre até onde pode ir o negócio. Afinal, não é à toa que as moedas estão escasseando — elas são de fato menos necessárias em tempos de cartões.

Alguns clientes já sinalizam que vão parar de alugar novas máquinas porque já superaram a falta de troco. É o caso do grupo paulista D’Avó, que tem equi­pamentos em cinco de seus dez supermercados. “Se instalarmos mais máquinas, poderemos ficar com excesso de moedas”, afirma Márcio Mota de Avó, diretor da rede.

Para complicar, ou­tras empresas têm surgido para disputar o filão. Uma delas é a Piggo, start­up alagoana que criou um aplicativo de celular que permite ao consumidor receber o troco em sua conta corrente.

Para não ficar atrás, a CataMoeda pretende incorporar novas funções à sua máquina, como a troca de moedas por crédito no celular ou por bilhete de transporte público. Outra estratégia é vender a tecnologia no exterior, a começar por México, Chile e Austrália. A caça às moe­das, ao que parece, vai continuar.

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