Na Cielo as maquininhas não podem parar

Melhor empresa de serviços há nove anos, a companhia de meios de pagamento Cielo forma uma aliança de 11,6 bilhões de reais com o Banco do Brasil

São Paulo — Mesmo em um ano de consumo fraco, as maquininhas da Cielo, maior processadora de cartões do país, trabalharam sem parar. Elas realizaram transações no total de 518 bilhões de reais em 2014, um crescimento nominal de 15% em relação ao ano anterior.

Em termos práticos, a movimentação dessa dinheirama se traduziu em uma receita líquida de 2,2 bilhões de dólares e um lucro de 1 bilhão para a Cielo — e uma excelente rentabilidade de 49% sobre o patrimônio líquido.

São números que explicam por que a Cielo despontou como a melhor empresa de serviços em MELHORES E MAIORES — posição que ocupa pela décima vez, sendo nove nos últimos anos consecutivamente. A Cielo deu recentemente um importante passo para ampliar seu negócio. Em novembro de 2014, surpreendeu o mercado ao anunciar uma parceria estratégica com o Banco do Brasil.

Junto com o banco, formou uma empresa para ser responsável pelas operações dos cartões Ourocard. “Foi o acordo mais importante de nossa história”, diz Rômulo Dias, presidente da Cielo. A empresa, batizada de Cateno, tem valor estimado em 11,6 bilhões de reais e nasceu com o capital constituído de 30% pelo BB Elo Cartões, subsidiária do banco, e os 70% restantes pela Cielo.

Como o BB tem uma participação indireta na processadora de cartões, as duas companhias dividirão meio a meio as receitas do negócio. A Cateno será remunerada com a tarifa que o BB recebe toda vez que um cartão emitido pelo banco é usado no varejo.

“A nova empresa é bastante relevante, pois permite à Cielo entrar em mais um segmento de mercado”, diz Felipe Silveira, analista de investimentos da corretora paulista Coinvalores.

Expandir as frentes de atuação é uma das estratégias que a Cielo tem adotado para enfrentar um mercado mais concorrido, já que há cinco anos o Banco Central proibiu contratos de exclusividade entre as bandeiras de cartão de crédito e as credenciadoras.

Até hoje, a sustentabilidade do negócio das processadoras, que lucram com o aluguel das máquinas e a cobrança de taxas por transação, é fruto do aumento da população que utiliza os bancos e da substituição de cheque e dinheiro pelo cartão de plástico. Hoje, de cada 100 reais em transação no Brasil, 30 ocorrem por meio eletrônico. Mas ninguém sabe até aonde isso vai.

Nos Estados Unidos, o pagamento eletrônico está em 45%. Na Alemanha, fica abaixo dos 20%. Para conseguir novos clientes — atual­mente, são 1,6 milhão de estabelecimentos —, a Cielo abriu no ano passado sua primeira loja física em um shopping center, em São Paulo. No local, o comerciante pode sair da loja com uma máquina funcionando.

A Cielo decidiu também entrar no mercado de “subcredenciadoras”, participando de 30% do capital da Stelo, empresa facilitadora de pagamentos no comércio eletrônico. Trata-se de um nicho, mas que possui concorrentes de peso, como PayPal e Moip.

São iniciativas que vão ajudar a Cielo a enfrentar um ano que se prenuncia difícil. “Se antes acelerávamos a 120 quilômetros por hora, agora vamos a 80”, afirma Dias.

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