O vice Michel Temer quer voar mais alto

Michel Temer pode se tornar um vice menos "decorativo" neste ano — isso se a Lava-Jato ou o próprio PMDB não atrapalhar seus planos

São Paulo — É dura a vida de um vice-presidente da república. O poder está lá, pertinho — a uma batida de coração de distância, como dizem os americanos —, mas um vice que se preza é obrigado, pelas regras da etiqueta, a fingir que não quer o que todos sabem que quer. Por quase cinco anos, o vice-presidente Michel Temer desempenhou o papel com maestria.

Mal se ouvia falar no discreto morador do Palácio do Jaburu. Mas veio a crise, e com ela o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A perspectiva de se tornar o número 1 foi forte demais para Temer: em 2016, temos um vice com as asinhas de fora. O símbolo dessa nova postura foi a carta que Temer enviou a Dilma em dezembro.

Foi uma quase ruptura que, por alguns dias, aumentou a temperatura do impeachment. Mas, no mesmo mês, o Supremo Tribunal Federal freou o processo ao anular a formação da comissão inicial que analisaria o processo de impeachment no Congresso e determinou que seus membros deverão ser indicados pelos líderes dos partidos, sem candidaturas independentes e num voto aberto em plenário.

Dessa forma, a expectativa é de mais representação da base aliada na comissão, um ponto a favor de Dilma. O impeachment, em suma, esfriou e Temer passou a adotar o plano B — tornar-se um vice, de fato, relevante, e não “decorativo”, como resmungou em sua carta a Dilma. Para esse plano dar certo, ele já iniciou uma movimentação com objetivo de se fortalecer no PMDB, partido que preside há dez anos.

No final de janeiro, planeja um roteiro de viagens pelo Brasil, a começar pelos estados do Sul, para se encontrar com líderes locais do PMDB. O objetivo é assegurar votos para sua reeleição à presidência do partido na convenção nacional, marcada para março. Há, claro, riscos nos voos de Temer. O primeiro é perder espaço em seu fragmentado partido.

Em especial, ele tem pela frente o presidente do Senado, Renan Calheiros, líder da ala do PMDB mais alinhada ao governo e que, desde o “carta-gate”, tem enfrentado publicamente o vice. Outra variável imprevisível são os desdobramentos da Operação Lava-Jato sobre parlamentares do PMDB, que podem afetar o capital político de Temer.

Corre por fora ainda a chance de a chapa Dilma-Temer ser cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral caso haja comprovação de crimes na eleição, como o recebimento de dinheiro vindo de corrupção. Embora remota, é uma ameaça que não pode ser descartada. Nessa confusão toda, a única certeza é que 2016 será um ano diferente — o ano em que um vice-presidente da República será protagonista.

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