Para os bancos, a concorrência vem de baixo

Segundo o executivo que comanda os negócios do sistema de pagamento online PayPal nas Américas, os bancos terão dificuldade de competir com as startups

São Paulo — Depois de trabalhar durante duas décadas em grandes bancos nos Estados Unidos, o americano Gary Marino decidiu fundar o próprio negócio no início da década passada. Era uma empresa que oferecia crédito pela internet chamada Bill Me Later. Em 2009, a startup foi comprada pelo PayPal, maior serviço de pagamento online do mundo, com um faturamento de 9,2  bilhões de dólares no ano passado.

Hoje, Marino, no cargo de vice-presidente sênior do PayPal, lidera os negócios da empresa nos Estados Unidos, que representam metade da receita, e na América Latina. “Conheço o mundo dos bancos e o das empresas de tecnologia e sei de onde está vindo a inovação”, afirma. Leia a seguir a entrevista que Marino concedeu a EXAME.

Exame – Os bancos estão lançando aplicativos e serviços digitais por temer a concorrência de startups?

Marino – Sim. E é bom que os bancos estejam testando novidades tecnológicas. O difícil é saber o grau de sucesso que alcançarão com seus novos produtos digitais. A competição entre os grandes bancos e as startups do setor financeiro deve ficar cada vez mais acirrada.

Exame – O senhor trabalhou no Citibank e no JP Morgan Chase, dois dos maiores bancos americanos. É mais difícil criar produtos inovadores em uma grande empresa do que numa startup?

Marino – Sem dúvida. O desafio de inovar é maior nas grandes empresas porque elas possuem uma estrutura mais complexa. No meu caso, cheguei a gerenciar uma divisão de cartões de crédito que tinha 16 000 funcionários. Saí do banco para empreender porque sabia que não conseguiria criar algo diferente onde estava.

Exame – Qual é a maior dificuldade para uma startup que queira lançar novos serviços financeiros?

Marino – Sem a menor sombra de dúvida, é a regulamentação do setor, muito rígida. As novas empresas costumam esbarrar a toda hora em legislações que, obviamente, não previam o surgimento de serviços para a internet.

Exame – O senhor poderia dar um exemplo prático?

Marino – A startup que fundei em 2001, chamada Bill Me Later, oferecia um sistema online para liberar crédito para os consumidores. Parece uma ideia simples, certo? Tivemos enormes dificuldades para nos adaptar às regras. A empresa quase faliu umas cinco vezes. Empreender foi a coisa mais assustadora que já fiz na vida.

Exame – Assustadora por quê?

Marino – Quando você tem uma pequena empresa, é difícil separar sua figura do produto ou serviço à venda. E a opinião do consumidor sobre o produto, o serviço ou sobre você é decisiva.

Exame – O setor do PayPal também passa por mudanças. Já existem lojas nas quais é possível fazer compras via apps de troca de mensagens. Isso vai pegar?

Marino – É difícil rodar um sistema de compras dentro de um programa de bate-papo. Mas acredito que quem resolver o problema pode se dar muito bem.

Exame – O Facebook é uma das empresas que estão testando esse novo formato…

Marino – Isso tudo faz parte de uma tentativa das empresas de criar novas fontes de receita. Num primeiro momento, elas apostaram na publicidade. Agora querem ser um intermediário de transações online.

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