5 dicas para sair da casa dos pais mesmo com pouco dinheiro

Como organizar as finanças para sair de casa dos pais sem passar por sufoco

São Paulo – Se sua renda finalmente deixou de se restringir às mesadas ou bolsas de estágio e você está louco para criar uma rotina só sua, sem ninguém dar palpite, temos uma boa notícia: sair da casa dos pais pode ser mais simples do que parece, segundo especialistas.

Mesmo que sua renda ainda não seja tão alta, com uma boa dose de organização e planejamento é possível morar sozinho sem se enrolar com as finanças. Veja a seguir cinco dicas simples para colocar esse projeto de vida em prática.

1. Faça um teste para ver se já dá para morar sozinho

Mais do que pôr no papel (ou no celular) o valor que você acha que vai gastar com aluguel, luz, água e tudo mais, tente imitar hábitos da rotina de morar sozinho enquanto ainda estiver na casa dos pais.

Por três meses, lave sua roupa, pague as contas, chame o encanador – e leve isso a sério. “Não é só a organização financeira que importa. Há muito mais coisas para resolver, das quais não temos ideia antes”, diz o educador financeiro Álvaro Modernell, sócio da Mais Ativos.

Calcular direitinho a quantia que você precisará para se sustentar também é crucial, mesmo que seja só uma simulação. A melhor maneira de fazer isso é perguntar a amigos quanto eles gastam com o essencial na casa – aluguel, condomínio, luz, água, gás e internet – e projetar outros gastos, do supermercado à saída no fim de semana.

Lembre que é preciso deixar uma folguinha para imprevistos como a tomada que estraga, o que você só irá descobrir quando estiver vivendo a nova rotina. Anote toda essa conta em papel, planilha ou aplicativo, como você achar melhor, e veja se ela bate com o seu salário líquido, o valor que cai na sua conta, já subtraídos os descontos de INSS, Imposto de Renda, FGTS, vale-transporte, vale-refeição e outros benefícios.

Se depois de fazer as contas, você se apavorou, significa que é melhor buscar um aluguel mais baixo, mudar hábitos, arranjar uma grana extra ou adiar o sonho.

Lembre que esse planejamento básico dos gastos será útil no futuro, como explica o educador financeiro Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro. “Você sempre precisará saber quanto ganha e gasta para manter sua liberdade”, ensina Calil.

2. Guarde algum dinheiro antes

Como em qualquer situação, não é possível prever com exatidão o que acontecerá no futuro, mas nessa fase da vida as incertezas são ainda maiores. Por isso, especialistas sugerem guardar algum dinheiro antes de sair da casa dos pais, que possa ajudar a comprar móveis e eletrodomésticos ou a cobrir imprevistos, como perda de emprego e eventuais erros nas contas.

Para Calil, da Academia do Dinheiro, é recomendável juntar o equivalente a um ano de despesas, pelo menos. O educador financeiro aconselha guardar entre 50% e 70% do salário ainda na casa dos pais e aplicar esse dinheiro em um investimento simples, como o título publico Tesouro Selic (veja mais detalhes sobre essa e outras opções de aplicações para iniciantes).

Na opinião de Modernell, da Mais Ativos, guardar o equivalente a três meses de despesas já é suficiente para um começo. Se usar o dinheiro guardado, a ideia é repor a poupança com o tempo, reservando, se possível, 10% do salário todo mês.

3. Encontre a casa ideal e o aluguel que cabe no bolso

Para agilizar a missão de encontrar um apartamento ou casa para alugar, defina exatamente o que você procura: a localização, o preço e as características do imóvel e do prédio.

É preciso definir prioridades, como sugere Gabriel Braga, co-fundador do Quinto Andar, uma startup que se propõe a facilitar o aluguel de imóveis. “Você terá que fazer escolhas. Talvez precise alugar um apartamento menor para se enquadrar no preço e no bairro desejado, por exemplo”, explica.

Pesquisar na internet antes ajuda. Só visite os apartamentos que realmente se enquadrarem nas suas necessidades. “Visitar o imóvel sem saber o valor do aluguel, do condomínio e da garantia exigida pelo proprietário é perda de tempo”, diz Braga.

Na hora de escolher a casa ou o apartamento, lembre que seus pais batalharam durante anos para adquirir o que têm, o que significa que é bem provável que você demore para conseguir o mesmo. “Não saia de casa com a expectativa de manter o padrão de vida. Estabeleça objetivos adequados”, aconselha Calil, da Academia do Dinheiro.

4. Saiba de antemão os trâmites necesários para alugar o imóvel

É de praxe os proprietários exigirem que você tenha um fiador ou pague seguro-fiança, título de capitalização ou depósito de aluguéis adiantado. Ele não conhece você e precisa ter certeza de que não levará calote.

Normalmente, o fiador precisa morar na mesma cidade da casa a ser alugada, ter renda três vezes maior do que o valor do aluguel e ser dono de um imóvel que não é a sua residência. Se você achou complicado, há outras alternativas.

Dá para adquirir um seguro-fiança, que custa, em média, o valor de um aluguel e meio ao ano – lembrando que esse dinheiro não é devolvido. Também é possível contratar um título de capitalização, que em geral equivale a três vezes o valor do aluguel, e tem a vantagem de garantir o reembolso do valor ao final do contrato. Uma terceira opção é fazer um simples depósito de aluguéis adiantados, normalmente três. Quem escolhe a forma de garantia é o dono do imóvel.

Além disso, é uma exigência comum que a renda de quem vai alugar seja três vezes maior do que o valor do aluguel. Você pode somar a sua renda com a de um amigo, se for dividir a moradia. Se não der, uma terceira pessoa pode entrar como co-locatária. 

Não se esqueça de que o momento é bom para barganhar, já que os proprietários estão mais dispostos a negociar com a crise econômica. “Para isso, é legal contar a sua história, mostrar quem você é. O dono do imóvel precisa confiar em você”, sugere Braga.

5. Se for dividir, combine regras claras com seu amigo

É mais fácil e comum sair da casa dos pais para morar com alguém do que sozinho. Se a sua ideia for rachar a casa ou apartamento com alguém, seja com o namorado, o amigo ou um desconhecido, combine previamente como o esquema vai funcionar – da divisão das contas à louça na pia e da comida na geladeira à hospedagem de amigos e familiares.

Modernell, da Mais Ativos, sugere dividir as contas básicas e os materiais de limpeza, já os gastos menores e menos essenciais, como o chocolate e a cerveja podem ser pagos individualmente.

É recomendável fazer uma revisão das contas uma vez por semana para que cada um cheque o que gastou e acerte o que for preciso. “Ser pontual e não deixar o outro na mão é essencial”, diz o educador financeiro. É melhor uma pessoa ficar responsável por pagar as despesas fixas, como o aluguel e as contas.

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