8 passos para conciliar as contas na vida a dois

A tática é tratar as questões de finanças como se o casal estivesse administrando um negócio, afirma a consultora de investimentos

Várias pesquisas apontam que o dinheiro é a razão número um que leva muitos casais à discussão. Para tentar evitar essas situações, o Blog Arena pediu à consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco, que elaborasse algumas sugestões para o casal montar uma rotina que ajude a manter a união na alegria e na tristeza financeira.

A intenção aqui, explica Sandra, não é assustar quem está pensando em formar uma família ou apenas juntar as escovas de dentes, muito pelo contrário.

O objetivo é comentar os pontos mais críticos e dar sugestões de como evitar os aborrecimentos devido às incompatibilidades financeiras. E não existe fórmula mágica para prevenir as brigas por causa de dinheiro. Cada casal vai ter que achar o seu caminho, na base da tentativa e erro.

Quando o assunto é dinheiro, as pessoas acabam agindo emocionalmente ou sendo reativas em vez de serem racionais e, por isso, surgem as discussões.

Uma boa tática é tratar as questões de finanças como se o casal estivesse administrando um negócio. Portanto, quando surgir algum impasse sobre dinheiro, em vez de falar com o amor da sua vida, pense que está se dirigindo a um sócio ou parceiro nos negócios.

Os seus, os meus, os nossos

Independentemente se vocês optaram por subir ao altar ou apenas morar juntos, definir o regime da união dos bens é muito importante. Se não, ele vai ser determinado automaticamente pela lei caso se confirme a união estável.

O mais comum é o regime de comunhão parcial, no qual apenas os bens adquiridos após o casamento pertencem a ambos. O que foi comprado antes, presente dos pais ou herança permanecem como propriedade individual.

Na união estável, prevalece o regime de comunhão parcial de bens, mas o casal pode fazer um contrato sobre os bens das partes com a mesma flexibilidade de um pacto pré-nupcial.

Os outros regimes existentes são a comunhão universal de bens, separação total de bens ou participação final nos aquestos. Para casos específicos, como um cônjuge com muito mais dinheiro que o outro ou com filhos de outros relacionamentos, é melhor procurar um advogado especialista em direito de família.

Conta conjunta ou separada?

A primeira questão com que os recém-casados se deparam é se devem ter contas conjuntas, manter contas individuais ou até abrir uma conta especialmente para as despesas em comum.

A escolha ideal deve ser aquela em que os cônjuges preservem, de certa forma, alguma autonomia sobre dinheiro. Os dois precisam aprender como vão administrar suas vidas no âmbito financeiro como um casal.

Assumindo que os dois tenham uma situação financeira organizada, o casal deve encontrar a maneira mais confortável de juntar as finanças para não se sentir vigiado por um Big Brother e ter que explicar cada movimentação bancária.

Essa questão é ainda mais relevante quando um dos cônjuges ganha mais do que o outro.

Com o passar do tempo, quando os filhos e o financiamento imobiliário entram em cena, muitos casais optam por unir as contas, para simplificar a rotina ou por comodidade.

Porém, enquanto os dois não estiverem confortáveis com a ideia de trabalhar com conta conjunta, não há necessidade de ter pressa.

Administrando as dívidas

De todas as questões que iniciam uma discussão entre um casal, as dívidas são a número um. Em geral, as partes não chegam a um consenso sobre o quanto de dívida é muito ou qual tipo de dívida é ruim.

Muitos são os casos em que um dos cônjuges entra no casamento com um nível de endividamento mais elevado, e isso passa a ser um problema dos dois.

Pelo menos, você não se torna responsável pelas dívidas contraídas pelo seu(sua) esposo(a) antes do casamento.

Nesse caso, só muita conversa e orientação. E mantenha a racionalidade, como se estivesse cuidando dos negócios de uma empresa.

Planejando os gastos 

Seu marido vive reclamando que você gasta demais, mas de repente aparece com um computador novo?

Gastar é a segunda razão mais comum pela qual os casais discutem. Geralmente, as esposas são rotuladas de consumistas e gastadeiras. Na verdade, estudos comprovam que homens e mulheres gastam os mesmos valores, só que gastam de maneira diferente.

As mulheres compram os itens do dia a dia, no supermercado e com roupas. Os homens desembolsam com objetos mais caros, como TVs, computadores e carros.

Para evitar esse tipo de discussão, a sugestão é fazer um orçamento e decidir de comum acordo o quanto deve ser alocado para os gastos de rotina e o quanto vai para as grandes compras. O objetivo é evitar surpresas no fim do mês.

Mais uma vez, como uma empresa, tenham o compromisso de seguir o que foi planejado.

Investindo inteligentemente

Quando se trata de investimentos, estudos mostram que os homens são mais propensos a correr riscos do que as mulheres. Então, antes de começar a investir, é melhor definir quais são as prioridades do casal (casa própria, reforma, carro, educação e filhos) e em que horizonte de tempo pretende alcançá-los.

Para cada caso existe um conjunto de investimentos mais apropriado. Para os objetivos de curto prazo e reservas para as emergências, deve-se aplicar em fundos de renda fixa.

Para os de médio ou longo prazo, fundos multimercado e fundos de ações. Todavia, se não chegarem a um acordo sobre como aplicar o dinheiro, é melhor investir separadamente.

O quanto vão aplicar mensalmente também deve ser definido de forma que seja confortável para ambos.

Segredos financeiros

Na maioria dos casais, um dos cônjuges esconde segredos sobre dinheiro do outro. Vício em jogo ou investimentos arriscados são frequentes, porém é mais comum do que se imagina mentir para o companheiro ou companheira sobre o preço de algo que se comprou.

As pessoas costumam esconder o que estão comprando, assim como mentem sobre o que estão comendo quando seguem uma dieta. Quem já não se viu em situação semelhante?

Até mesmo os casais que preservam a independência financeira mantêm pequenos e inofensivos segredos.

Essa questão é, na minha opinião, a mais delicada, porém não tenho ideia de como resolvê-la. Acho que nem mesmo as conversas racionais vão evitar os segredos financeiros.

Plano de emergência

Mesmo que vocês tenham brilhantes carreiras, ganhem bem e não possuam dívidas, podem não estar preparados para uma situação emergencial.

Todos os casais devem formar uma reserva para as situações inesperadas de pelo menos seis vezes os gastos mensais, aplicados em fundos de renda fixa e com alta liquidez.

O fato de saber que está coberto para qualquer eventualidade reduz significativamente o estresse do casal com imprevistos financeiros ou profissionais.

Aposentadoria

Mesmo ao começar uma vida nova, não se pode deixar de pensar na aposentadoria.

Para esse objetivo, o mais indicado é aplicar separadamente, principalmente se for em planos de previdência privada, e um colocar o outro como beneficiário do plano, em caso de falecimento.

Ao investir para a aposentadoria, dado o horizonte de longuíssimo prazo, 20 anos ou mais, deve-se optar por uma diversificação com perfil mais arrojado, que aplique no mercado acionário, para potencializar os ganhos e superar a inflação.

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