Cuidado: tarifas bancárias já passam de R$ 1.000 ao ano

Pacote de serviços em contas correntes podem custar mais de mil reais, segundo um levantamento da Proteste

São Paulo – Sabe aquele pacote de serviços que o gerente do banco tenta empurrar para que você tenha uma conta corrente super completa, mas que você mal conhece? Ele pode custar mais de mil reais por ano, como mostra uma pesquisa feita pela Proteste Associação de Consumidores.

Cinco bancos, entre os oito maiores do país, aumentaram suas tarifas neste ano: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

Entre janeiro de 2015 e janeiro deste ano, o maior aumento foi na cesta Especial do Banco do Brasil, que subiu 32%  e hoje custa 31 reais. Entre os itens que mais pesam nesse pacote, estão: a confecção de cadastro para início de relacionamento; os 17 saques de conta de depósitos à vista; e as 22 transferências entre contas na própria instituição.

Segundo o banco, a somatória das tarifas individuais, fora do pacote, custaria 64,75 reais, e contratar o pacote representa uma economia de 33,75 reais. As transações que excedem os limites desses serviços ainda podem ser cobradas à parte.

Segundo o levantamento da Proteste, o pacote de serviços bancários mais caro do mercado atualmente é o Plano Select Unique, do Santander, que custa 99 reais por mês, o equivalente a 1.188 reais por ano.

Os itens mais caros do pacote são: contra-ordem (ou revogação) e oposição (ou sustação) ao pagamento de cheque ilimitados; e cinco ordens de pagamento para realizar transferências. Se os serviços incluídos no pacote fossem cobrados individualmente, o valor total seria de 1.819,80 reais, de acordo com o banco, o que significa que o pacote oferece 94% de economia.

O pacote de serviços do Santander que mais aumentou de preço neste ano foi o Padronizado IV, que subiu 10% e custa hoje 35,20 reais por mês. Na Caixa Econômica Federal, a maior alta, de 25,56%, foi no pacote Simples, cujo preço mensal é de 19,65 reais.

No Bradesco, o pacote com maior elevação de preço este ano foi o Padronizado II, que subiu 5,88% e hoje custa 18 reais. Já no Itaú, foi o Pacote 3.0, cujo preço aumentou 7,69% e hoje é de 28 reais.

Vale lembrar que os pacotes padronizados foram criados a partir de uma norma do Banco Central, que obrigou os bancos a oferecer quatro tipos de pacotes bancários (I, II, III e IV), que devem oferecer os mesmos serviços e na mesma quantidade.

Como cada instituição é livre para cobrar a tarifa que quiser por cada pacote, caso o cliente queira checar quais bancos praticam os valores mais baixos, a consulta pode ser feita pelo site Febraban Star, página criada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) especialmente para mostrar as tarifas cobradas pelos bancos em diferentes tipos de serviços.

Confira as tarifas que você está pagando

Os bancos são obrigados a divulgar o valor de todas as tarifas cobradas, além de deixar claro todos os serviços incluídos nos pacotes oferecidos. A Proteste lembra que o cliente não é obrigado a contratar um pacote de serviços ao abrir uma conta.

O Banco Central garante que alguns serviços essenciais sejam oferecidos pelas instituições sem a cobrança de tarifas: cartão de débito, 10 folhas de cheques por mês, segunda via do cartão de débito, até quatro saques por mês, consultas pela internet, duas transferências por mês entre contas da própria instituição e compensação de cheque.

Para saber se você está pagando demais pela sua conta corrente, a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, lembra que é preciso conferir no contrato quais serviços estão incluídos no seu pacote. Depois, olhe para o extrato e avalie se você está usufruindo tudo que efetivamente paga.

No site da Proteste, um simulador ajuda a identificar o seu perfil de usuário de conta bancária e a apontar o melhor banco e o melhor pacote. Você pode mudar o pacote de serviços contratados no banco a qualquer momento.

“O consumidor não deve se sentir pressionado pelo banco para escolher seu pacote. Ele deve usar as armas à sua disposição para não sofrer abusos”, orienta Maria Inês.

Contas eletrônicas podem ser mais baratas

Muitas contas exclusivamente eletrônicas, com acesso somente pela internet ou em caixas eletrônicos, não cobram tarifas dos clientes. Nesses casos, só há cobrança de taxas quando há contato por telefone ou na agência bancária.

Esse tipo de conta já é oferecido por alguns bancos tradicionais, mas também por novos bancos exclusivamente online, como o Banco Original (conheça mais sobre ele).

Recentemente, o Banco Intermedium lançou um site que mostra, em tempo real, a quantia que seus correntistas já economizaram com a conta digital em 2016. Até o fechamento desta matéria, o valor era de 11 milhões de reais. 

*Matéria atualizada em 10 de junho de 2016, por uma correção no valor do aumento de uma tarifa do Banco do Brasil. 

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