O que ninguém conta a você sobre investir em fundos simples

Eles são descomplicados e podem render mais que a poupança, mas custam caro para o seu bolso

São Paulo – Provavelmente seu gerente já ofereceu um fundo simples como porta de entrada para o universo das aplicações. De fato, seu nome não mente: ele é bem descomplicado e pode render mais que a poupança, mas é preciso conhecer bem o produto antes de investir.

A categoria de fundos simples foi criada no ano passado para ser uma alternativa de baixo risco e custo reduzido para os pequenos investidores. Boa parte dos fundos DI, categoria extinta em 2015, passaram a ser classificados como simples.

O que talvez o banco não conte é que você perde rentabilidade pela taxa de administração, que pode chegar a 4%, e pelo grande desconto de Imposto de Renda ao resgatar o dinheiro pouco tempo depois de aplicar, como explica a professora de finanças do Insper Juliana Inhasz.

“Se a taxa de administração for até 2%, o fundo simples ainda pode render mais que a poupança. Se for mais do que isso, não vale a pena”, explica Juliana. Vale investir em um fundo simples para você manter uma reserva de emergência, um dinheiro para usar quando precisar, se estiver disposto a pagar pela comodidade de um gestor fazer tudo para você.

Nesse caso, a palavra-chave é liquidez, ou seja, ter a chance de resgatar seu dinheiro a qualquer momento. Cada instituição financeira determina o seu valor mínimo para investir em um fundo, mas pode ser a partir de 50 reais.

Ao investir em um fundo simples, como em qualquer outro fundo, você reúne seu dinheiro ao de diversos investidores e um especialista do banco ou da corretora toma conta de todo esse patrimônio.

No caso dos fundos simples, o gestor é obrigado a aplicar, no mínimo, 95% desse dinheiro em títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto ou em títulos de renda fixa de bancos, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), mas desde que o investimento em produtos bancários não passe de metade do patrimônio do fundo. 

Ou seja, o gestor vai investir o seu dinheiro em aplicações bastante conservadoras, de renda fixa, que você consegue prever exatamente como será remunerado. Seu rendimento acompanha a Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,25% ao ano.

No entanto, mesmo que eles invistam boa parte em títulos públicos do Tesouro, podem aplicar em títulos com taxas prefixadas que, diferentemente do Tesouro Selic ou do Tesouro IPCA, podem gerar prejuízos se forem vendidos antes do vencimento. Assim, dependendo da estratégia do gestor, esses fundos podem ter resultados inferiores à variação da taxa Selic.

Com um pouquinho de paciência e informação, você pode investir sozinho em um CDB ou no Tesouro Direto, sem pagar pela taxa de administração do fundo, e ter um rendimento melhor. No Tesouro, não é difícil escolher o título mais adequado para você (veja como). Confira o passo para aplicar na plataforma e como escolher uma corretora.

Desconto de Imposto de Renda pode ser alto

Ao investir em um fundo simples, você paga menos impostos se demorar mais para resgatar o dinheiro. O Imposto de Renda (IR) incide só sobre os rendimentos e é cobrado pela Tabela Regressiva, ou seja, a alíquota começa em 22,5% (para resgates em até seis meses) e termina em 15% (para resgates após dois anos).

“Para resgatar o dinheiro em até seis meses, a poupança é melhor. Se você deixar o dinheiro por pouco tempo em um fundo, você é penalizado pelo IR”, explica Juliana.

Outra desvantagem é que os fundos simples estão sujeitos à forma de tributação conhecida como come-cotas, como lembra o consultor financeiro André Massaro. Em vez de o imposto de renda ser cobrado apenas no resgate, ele é cobrado em forma de cotas de seis em seis meses, sempre em maio e novembro.

Ou seja, quando o imposto é descontado, a quantidade de cotas que o investidor tem naquele fundo diminui. Daí o nome come-cotas.

Compare taxas

Se estiver decidido a aplicar em um fundo simples, o primeiro a fazer é procurar instituições que cobrem taxas de administração baixas, de até 1,5%, como recomenda Juliana.

Procure nos sites dos bancos as tabelas de tarifas. Os bancos são obrigados a manter essa informação pública. Segundo a professora do Insper, normalmente, quanto menor o valor investido, mais alta é a taxa cobrada pela instituição. 

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