Quando vale a pena comprar um carro usado?

Entre janeiro e julho deste ano, as vendas de veículos com até três anos cresceram 21%. Afinal, a economia é arriscada?

São Paulo – Carros usados podem ter até o cheirinho de veiculos novos com produtos que reproduzem seu odor, mas há quem ainda desconfie do custo-benefício de comprar um automóvel que já passou por outro motorista. Afinal, a economia vale a pena ou é arriscada?

Especialistas ouvidos por EXAME.com são unânimes na recomendação: se o carro estiver em bom estado, pode ser um ótimo negócio. Entre janeiro e julho deste ano, as vendas de modelos com até três anos cresceram 21%, na contramão dos veículos novos, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

Ao retirar um automóvel novo do estacionamento da concessionária, imediatamente seu preço já sofre uma depreciação de cerca de 15%, como explica o engenheiro Francisco Satkunas, da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE). A maior desvalorização acontece especialmente nos três primeiros anos de vida útil do carro.

Assim, ao final do período de uso do veículo, se você colocar de um lado da balança os gastos com a manutenção de um automóvel usado e do outro o custo da depreciação do carro novo, provavelmente a desvalorização do novo pesará mais no bolso. Isso significa que você deixará de ganhar mais dinheiro para revender um carro novo do que um carro usado, em relação ao investimento inicial.

Além do preço de um veículo usado ser menor, seu Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) também é mais baixo. É mais fácil barganhar na compra de um usado (veja dicas de negociação) e você poderá comprar um carro melhor do que compraria se fosse um novo.

“A vida útil de um motor atual pode durar 400 mil quilômetros, o que é muito. Só é importante verificar sua procedência, se não você vai comprar um abacaxi, e não um carro”, recomenda Satkunas.

Como saber se o usado é um bom negócio?

Antes de fechar o negócio de um carro usado, é importante checar seu passado. Vale contratar um serviço de vistoria mecânica e checar o histórico da placa. Esses serviços podem custar, respecivamente, 180 reais na consultoria Dekra e 44 reais no serviço online Checkauto. Veja dicas de como não ser passado para trás.

Em geral, quanto menor a quilometragem, melhor a condição do carro. A medida de 15 quilômetros percorrridos por ano é um bom parâmetro, como sugere o consultor Milad Kalume Neto, da Jato Dynamics.

Mas não há um ano de fabricação limite ou uma quilometragem máxima recomendada para a compra ser segura. O importante é adquirir um modelo que tenha sido bastante vendido no mundo todo, de uma marca com histórico confiável, com componentes duráveis e peças fáceis de encontrar no Brasil.

Uma pesquisa em sites especializados em carros, como o Quatro Rodas ou o ReclameAuto, já responde a essas dúvidas. Também vale buscar opiniões de pessoas conhecidas, que tiveram experiências com o modelo e a marca.

“Comprar um modelo ruim com 30 mil quilômetros de uso é bem pior do que um modelo bom com 100 mil quilômetros. Dá para comprar carro antigo, desde que seja bem conservado e de um modelo e marca com bom histórico”, explica o consultor automotivo Leandro Mattera, autor do livro Como escolher o seu carro ideal.

Para conferir o estado de conservação do veículo, leve um mecânico de sua confiança para dar uma olhada no carro que pretende comprar ou contrate um serviço de vistoria técnica.

Evite ser seduzido pela aparência do veículo. Carros importados muito antigos, por exemplo, não são uma boa ideia, pois suas peças para manutenção são caras e é difícil revendê-los depois. Seu seguro também costuma ser caro, e o consumo de gasolina pode ser alto.

Esses, aliás, são itens importantes de serem observados ao escolher o modelo. Lembre que é preciso levar em conta não só as percelas, mas o custo de manutenção do carro, diferente conforme o modelo.

Normalmente, a garantia de fábrica dos veículos dura três anos. Esse também é um item a ser avaliado na hora de escolher o carro, como sugere José Félix, gerente da Checkouto e responsável pela área de varejo da Dekra.

Outra vantagem de comprar um seminovo, de até três anos, é que as taxas de juros para financiar são mais baixas do que as oferecidas para usados. 

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