Quartos no Rio custam 167% a mais no mês da Olimpíada

O governo do Estado estima em ao menos 500 mil o número de turistas nas três primeiras semanas de agosto

Rio – Não teve zika nem ameaça de terrorismo que azedasse as expectativas do setor hoteleiro para a Olimpíada. A previsão é de ocupação máxima durante os Jogos, informou a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

“Ainda há unidades disponíveis agora, mas são as que foram devolvidas depois do bloqueio previsto em contrato com a organização da Rio 2016”, explicou Alexandre Sampaio, presidente da entidade.

O governo do Estado estima em ao menos 500 mil o número de turistas nas três primeiras semanas de agosto.

Sampaio calcula que só 2% dos quartos formais estejam ainda disponíveis, entre os 60 mil ofertados pela rede hoteleira.

“Esses quartos voltaram ao mercado e estavam sendo vendidos, mas o número de reservas desacelerou nas duas últimas semanas, então os hotéis tiveram que fazer um realinhamento de preços”, acrescentou o presidente da FBHA.

O aumento na procura fez explodir os preços da rede hoteleira. A tarifa média durante os Jogos mais que dobrou em relação ao pico da temporada passada, em janeiro e fevereiro deste ano.

Os estabelecimentos de médio padrão foram os que mais aumentaram os preços: a diária média entre 5 e 21 de agosto em um 3 estrelas ficou em US$ 406,97, 167% a mais do que nas épocas mais concorridas, réveillon e carnaval, segundo dados do Kayak, portal que compara preços de hospedagem e voos em diferentes sites de reservas.

“A demanda foi grande e, como a oferta de hospedagem em 3 estrelas está se esgotando, o hotel consegue subir a tarifa a preço de 4 ou 5 estrelas”, disse Kaio Philipe, diretor do Kayak no Brasil.

A tarifa média por noite num 4 estrelas ficou 135% mais cara em relação à alta temporada, enquanto a hospedagem de 5 estrelas subiu 17%.

Somando todas as classes de hospedagem, o turista que vier ao Rio para os Jogos pagará US$ 457,40 por dia, um aumento médio de 106%.

Os hóspedes que optaram por acomodação alternativa pagaram menos, R$ 578 por noite, em média, segundo o Airbnb, site que reúne ofertas de hospedagem em residências – mis de 55 mil pessoas confirmaram reserva na Olimpíada.

O carioca Ronaldo Junior, mestre em filosofia, está entre os hospedeiros do Rio mais ativos no Airbnb. Ele conta que a procura pelo quarto que aluga em Botafogo, zona sul, aumentou ainda mais em agosto.

Ele receberá em breve uma eslovaca, que cederá lugar dias depois a um casal de americanos, que serão sucedidos por um filipino e, depois, por um casal de dinamarqueses.

“Normalmente, meu preço é controlado pelo próprio site. Resolvi cobrar a mais por causa da Olimpíada. Pedi R$ 350 pela diária do quarto, ninguém titubeou, todos os hóspedes fecharam pelo preço sem pensar duas vezes”, disse.

Ainda como hospedagem alternativa, cerca de 30 mil pessoas ficarão hospedadas em cinco embarcações atracadas no Píer Mauá, no centro, informou o governo do Estado do Rio.

Já os hotéis 5 estrelas da Barra da Tijuca, zona oeste, e São Conrado, Ipanema e Leblon, zona sul, registram lotação máxima, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ) divulgados pelo governo do Estado.

Em Copacabana e no Leme, zona sul, apenas 4% das vagas permaneciam disponíveis.

Sotaques

A dez dias do início dos Jogos, já é possível ver turistas estrangeiros pela orla de Copacabana e em pontos como o Corcovado e o Mirante Dona Marta.

O dentista Amado José Verguer veio da Argentina para passar 45 dias no Rio. Planeja aproveitar a temporada para assistir a partidas de basquete e futebol masculino.

“Já sou um carioca a mais, venho uma ou duas vezes por ano ao Rio. Gosto do clima: em julho e com esse sol.”

Ingo Woelk é um jornalista alemão que se encantou pelo Rio há cinco anos. Tanto que se candidatou para trabalhar como voluntário nos Jogos. Chegou sexta-feira.

“Espero que seja um evento fantástico”, declarou ele, que comprou ingressos para atletismo e hóquei.

Já a estudante inglesa Lucy Waters notou que o evento divide opiniões entre a população local. “Metade dos brasileiros que conheci está otimista.

A outra metade diz que o dinheiro investido poderia ser usado de melhor forma. Há um mix de sentimentos.”

O turista disposto a consumir na orla deve ficar atento aos preços dos ambulantes, que pretendem aumentar o valor dos produtos durante os Jogos.

É o caso de Marcos Figueiredo de Jesus, que veio da Bahia para trabalhar na Olimpíada.

“A canga está R$ 40. Ainda não está no preço de Olimpíada, mas pretendo aumentar para R$ 60 ou até R$100, dependendo do freguês”, disse. “Já vendi a R$100 para uma estrangeira, mas porque ela pagou em dólar.”

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