Quase a metade dos brasileiros já sofreu fraude com cartões

Estudo obtido com exclusividade por EXAME.com traça um raio-x do mercado de meios de pagamento no mundo todo: Brasil é o 2º mais fraudulento

São Paulo – Quase a metade dos brasileiros sofreu algum tipo de fraude com cartões nos últimos cinco anos, segundo um estudo realizado pela ACI Worldwide, em parceria com o Aite Group, obtido com exclusividade por EXAME.com. Esse número coloca o Brasil em segundo lugar no ranking global, atrás apenas do México, e reforça a necessidade de o consumidor redobrar o cuidado com seus dados pessoais.

Ao todo, foram ouvidos 6.035 consumidores em 20 países das Américas do Norte e do Sul, Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania. No geral, o levantamento mostrou que as fraudes com três tipos de cartões —débito, crédito e pré-pago— são crescentes no mundo todo.

Participaram do estudo os seguintes países: Brasil, Canadá, México, Estados Unidos, França, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, África do Sul, Espanha, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Austrália, Índia, Indonésia, Nova Zelândia, Singapura e Tailândia.

Em comparação à pesquisa divulgada em 2014, 14 nações relataram um aumento nas fraudes. O México liderou o ranking: 56% dos consumidores mexicanos relataram já ter sofrido algum tipo de fraude com cartões nos últimos cinco anos. Dois anos atrás, esse percentual era de 33%.

O Brasil ficou na segunda posição: 49% dos consumidores brasileiros entrevistados foram vítimas de algum tipo de fraude com cartões nos últimos cinco anos. Na pesquisa anterior, o percentual era de 30%. Veja abaixo o ranking dos 10 países com o maior percentual de fraudes, de acordo com o estudo.

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“O Brasil tem seus próprios desafios; com uma economia ‘patinante’ e um ambiente fragmentado de pagamentos com cartões, é um mercado atraente para os criminosos. Também é um mercado enorme para as compras online, mas muitas das redes de e-commerce não têm um controle forte de prevenção de fraudes”, conclui o estudo.

Longe dos países mencionados acima, a nação com o menor percentual de fraude foi a Hungria: apenas 9% dos consumidores húngaros entrevistados disseram ter sofrido algum tipo de fraude com cartões nos últimos cinco anos. A Holanda e a Suécia vêm logo em seguida, com 14% cada uma. Já a Alemanha ficou com 18%.

No total, em 2016, 17% dos usuários de cartões afirmaram ter sofrido fraude mais do que uma vez nos últimos cinco anos. Em 2014, esse número era de 13%.

Satisfação

Entre os brasileiros que disseram já ter sido vítimas de fraude, 35% ficaram insatisfeitos com o tratamento dos bancos após a experiência, e 65% ficaram parcialmente ou plenamente satisfeitos com suas instituições bancárias —o pior desempenho entre os países das Américas do Norte e do Sul que fazem parte da pesquisa.

Nos EUA, 90% dos consumidores entrevistados disseram ter ficado parcialmente ou plenamente satisfeitos com o tratamento dos bancos após terem sido vítimas de fraude com cartões. No Canadá, foram 81% e no México, 80%.

Em 2016, 18% do brasileiros que passaram por fraudes disseram ter trocado de instituição financeira após o ocorrido —número bem menor do que em 2014, quando 33% afirmaram ter mudado de banco.

Além disso, apesar de não confiarem plenamente nos bancos, a maioria (60%) dos entrevistados brasileiros acredita que as instituições têm feito o máximo possível para proteger seus clientes de fraudes.

Cuidados

Comportamentos de risco, como deixar o celular desbloqueado quando não está em uso ou carregar a senha do cartão anotada consigo, têm relação direta com as fraudes. A chance de ter seus dados pessoais roubados tem crescido cada vez mais também devido ao aumento global no uso de smartphones e tablets.

De acordo com a pesquisa, 54% dos consumidores entrevistados globalmente apresentaram ao menos um comportamento arriscado, contra 50% em 2014. Entre essas pessoas, 58% já sofreram fraude. Já entre os mais cuidadosos, 36% passaram por essa situação.

Para evitar ter dor de cabeça com um problema como este, especialistas recomendam que o consumidor esteja sempre atento na hora de usar o produto. Por exemplo, nunca deixe que levem o cartão para longe —peça para que tragam a máquina até você.

Ao digitar sua senha, esconda o teclado e nunca a informe para ninguém. Além disso, é importante que você não crie senhas fáceis demais ou que podem ser descobertas sem grande esforço, como datas de aniversário ou números de telefone. E nem pensar em anotar e guardar a senha junto com o cartão —essa é a maneira mais fácil de ser vítima de fraude.

Na internet, o cuidado deve ser ainda maior. Não preencha cadastros nem faça compras em sites desconhecidos. E sempre verifique se o site tem certificado de segurança. Para fazer isso, veja se o http do endereço vem seguido de um “s” no final (https) e se aparece um cadeado à esquerda do endereço da página. O Procon de São Paulo disponibiliza um site em que é possível ver endereços de páginas que devem ser evitadas, pois tiveram reclamações de consumidores.

Na dúvida, desconfie. É sempre bom desconfiar se o site que você está navegando é mesmo a página oficial da loja ou empresa. Os fraudadores fazem cópias idênticas dos sites para enganar os consumidores. Neste caso, fique atento ao endereço de links que aparece no canto inferior esquerdo da tela quando você passa o mouse sobre eles.

A desconfiança também tem que acontecer com os preços. Se a oferta estiver barata demais, isso pode ser um truque de fraudadores para atrair novas vítimas. Vale ficar atento ainda ao uso de redes públicas de internet —quando usar computadores compartilhados, certifique-se de fazer logoff de suas contas antes de ir embora.

Por último, lembre-se de que seus dados pessoais não são apenas senhas, por isso nunca compartilhe fotos de documentos na internet, por exemplo. Isso ajuda fraudadores a se passarem por você. Tente usar o cartão com consciência, tanto para evitar fraudes quanto para não se enrolar financeiramente. Veja aqui alguns erros comuns de quem usa o cartão de crédito.

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