Cientistas fizeram esperma de homens estéreis in vitro

Os cientistas revelaram em entrevista coletiva a tecnologia de tratamento celular com a qual, pela primeira vez, puderam "diferenciar células-tronco germinais"

Paris – Uma equipe de pesquisadores franceses conseguiu obter espermatozóides de homens estéreis “in vitro”, um feito inédito, anunciaram nesta quinta-feira em Lyon.

Os cientistas revelaram em entrevista coletiva a tecnologia de tratamento celular com a qual, pela primeira vez, puderam “diferenciar células-tronco germinais (espermatogonias) e produzir, fora do corpo, espermatozóides morfológicamente normais”.

O processo, conhecido como “espermatogênesis”, consiste em fazer evoluir essas células primordiais evoluírem para espermatozóides completos, utilizando outras células para seu abastecimento. “Fisiologicamente é muito complexo e dura 72 dias”, explicaram.

A descoberta foi impulsionado pela empresa emergente Kallistem, do Instituto de Genômica Funcional de Lyon.

Após mais de 15 anos de investigação, o diretor científico de Kallistem, Phillipe Durand, e a pesquisadora Marie-Hélène Perrard uniram seus descobrimentos com os do professor universitário Laurent David, membro do Laboratório de Engenharia dos Materiais Polímeros, e conseguiram completar o desafio.

A descoberta abre uma via que pesquisadores de todo o mundo buscavam há anos, ressaltou o Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), uma das instituições envolvidas, junto com a Universidade Claude Bernard e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA)

Até hoje não existia nenhuma possibilidade segura de preservar a fertilidade de meninos pré-púberes submetidos a tratamentos gonadotóxicos – como algumas quimioterapias – nem soluções alternativas para a paternidade biológica de adultos estéreis.

Os pesquisadores esperam poder resolver as necessidades desses dois tipos de pacientes, que graças a uma biópsia testicular obterão “in vitro” espermatozóides capazes de serem utilizados posteriormente em uma fecundação assistida, através da microinjeção no óvulo.

O esperma obtido poderá ser igualmente criopreservado.

Em ambos os processos, a imediata fecundação “in vitro” ou o congelamento, será necessário analisar antes a qualidade dos espermatozóides produzidos.

A fase de fecundação com estes espermatozóides ainda está em fase experimental com ratos, e ainda é preciso checar se os roedores nascidos de espermatozóides criados assim se comportam normalmente também do ponto de vista fisiológico.

Antes de passar a analisar a bioquímica e a epigenética de gametas humanos, será preciso também comprovar a normalidade dos órgãos e a capacidade reprodutora dos pequenos mamíferos, indicou o CNRS.

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