Cientistas observam órbita de estrela em buraco negro

Os astrônomos serão capazes de observar os movimentos da estrela com mais detalhes do que nunca, pondo à prova a teoria da relatividade geral de Albert Einstein

Um telescópio instalado no deserto chileno conseguiu focar com uma nitidez sem precedentes uma estrela orbitando um buraco negro supermaciço e oculto no centro da Via Láctea, anunciaram astrônomos nesta semana.

Isso significa que eles serão capazes de observar os movimentos da estrela com mais detalhes do que nunca, pondo à prova a teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Apelidada S2, a estrela fica a cerca de 25.000 anos-luz do nosso Sistema Solar.

Trata-se do corpo celestial a chegar mais perto do que nunca do buraco negro Sagitário A, que, acredita-se, esteja no centro da nossa galáxia.

A S2 é relativamente jovem em termos astronômicos, tendo menos que 100 milhões de anos de idade.

Ela já foi estudada antes, mas com muito menos detalhes do que os que podem ser observados agora pelo instrumento Gravity, do Observatório Europeu do Sul, no deserto do Atacama, no Chile.

“As observações do Gravity serão cerca de 15 vezes mais precisas”, disse o líder do projeto, Frank Eisenhauer, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha.

Com um diâmetro de 130 metros, o Gravity vai procurar desvios minúsculos e reveladores do movimento dos gases e das estrelas que giram em torno do Sagitário A, que podem provar sua existência.

Acredita-se que o Sagitário A possui uma massa quatro milhões de vezes maior que a do nosso sol, concentrada em um espaço menor do que o ocupado pelo Sistema Solar.

Os buracos negros são regiões no espaço-tempo onde a massa sofreu um colapso em uma área tão pequena que a gravidade toma conta de tudo, e nada, nem mesmo a luz, pode escapar de sua sucção- o que os torna invisíveis.

Einstein estava certo

A existência dos buracos negros é inferida a partir do comportamento de objetos situados nas suas proximidades, incluindo estrelas que rodam em torno deles do mesmo modo que os planetas orbitam o nosso sol.

Os buracos negros foram previstos na teoria da gravidade de Einstein, que foi publicada em 1915 e ainda constitui um dos alicerces da física moderna.

Embora tenha resistido a todos os testes experimentais até hoje, a teoria falha em explicar algumas das forças do universo – particularmente as que atuam em nível quântico (subatômico).

Se Einstein estiver certo, a equipe do Gravity deveria ver mudanças na duração da órbita do S2 quando ela estiver no ambiente de extrema gravidade próximo ao Sagitário A.

E eles conseguiram criar a tempo o instrumento capaz de fazer isso.

Em 2018, a S2 ficará mais próxima do que nunca do buraco negro, em sua órbita oval, a ‘apenas’ 17 horas-luz ou 18 bilhões de quilômetros de distância.

“O truque é medir a órbita da S2 no ano anterior e no ano seguinte à sua maior aproximação, porque os efeitos da relatividade geral aumentam fortemente quando você se aproxima do buraco negro”, de modo que é possível observar mudanças na órbita, disse Eisenhauer à AFP.

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