Um passeio pelos incríveis museus da Ferrari em Maranello

A histórica Testa Rossa aí embaixo é só uma das joias que você pode ver de pertinho. Dá pra resistir?

Museu Ferrari

 (reprodução/Divulgação)

A velha máxima diz que não se pode ir a Roma e não ver o papa. Pois existe uma outra religião, com milhões de devotos de várias nacionalidades, que segue outro mandamento: não se pode ir à Itália e não visitar Maranello.

A meca desses fãs é a cidade onde são construídos os carros que povoam o imaginário de boa parte dos seres do planeta com um nome mítico: Ferrari. O mais legal é que agora é possível ir até lá e entrar no museu criado pela fábrica. Ou, para ser mais exato, museus.

Um dos nomes mais valiosos da economia global (que estreou recentemente na Bolsa de Nova York e bateu o recorde de avaliação de marca: 10 bilhões de dólares) tem algo que só mesmo uma religião justifica: alma.

Sim, quando se fala em Ferrari, parece que há muito mais que uma marca de carros envolvida. E a visita a Maranello faz com que essa magia seja sentida em sua plenitude.

Museu Ferrari A visão do paraíso: máquinas de todas as épocas e estilos

A visão do paraíso: máquinas de todas as épocas e estilos (reprodução/Divulgação)

Nos últimos dois anos, o turismo nessa região central da Itália (a cerca de duas horas de Milão e a uma hora de Florença) atingiu seu ápice com a inauguração de dois museus –verdadeiros Louvres para amantes da velocidade: o Museu Ferrari, em Maranello, e o Museu Enzo Ferrari, em Modena, a cerca de 30 quilômetros de distância.

Os dois museus funcionam o ano inteiro, exceto em 25 de dezembro e 1º de janeiro. Ficam abertos das 9h às 18h (de abril a outubro, até 19h). Em cada museu, o ingresso custa 15 euros. A visita casada aos dois museus (com traslado cobrado à parte) custa 26 euros.

O museu de Maranello é a grande estrela, uma das maiores concentrações de obras de arte sobre quatro rodas. Só a coleção de carros de competição já valeria a visita.

Lá está a primeiríssima Ferrari a vencer uma prova de campeonato de Fórmula 1 – a 166 F2, fabricada em 1948 para as provas avulsas que ocorriam na Europa (o Mundial só começou em 1950) e vencedora do GP da Inglaterra de 1951 com o argentino Froilán González.

Museu Ferrari Em primeiro plano, três jóias dos anos 80: F40, 288 GTO e Berlinetta Boxer

Em primeiro plano, três jóias dos anos 80: F40, 288 GTO e Berlinetta Boxer (reprodução/Divulgação)

Como em qualquer museu, há uma obra de arte controversa. É o Spazzaneve da temporada de 1973, que recebeu esse apelido por causa do bico largo que parecia um trator de tirar neve das estradas.

Só que, embora ridicularizado na época (não ganhou uma corrida sequer), esse 312 B3 foi sendo incrementado com importantes mudanças que resultariam no modelo 312 T, que permitiu ao austríaco Niki Lauda ganhar seu primeiro título mundial de F1 com autoridade incontestável em 1975.

Lá estão também o 126 CK com que o arrojado Gilles Villeneuve (um dos pilotos favoritos do comendador Enzo Ferrari) ganhou o GP de Mônaco de 1981, o F300 de Michael Schumacher em 1998 e uma fileira com todos os F1 da Ferrari na última década, com destaque para o carro que deu a Felipe Massa o vice no campeonato de 2008.

Com todos lado a lado, fica mais fácil perceber as evoluções que vão sendo feitas a cada temporada.

Museu Ferrari Há uma seção só sobre os motores dos bólidos de Fórmula 1

Há uma seção só sobre os motores dos bólidos de Fórmula 1 (reprodução/Divulgação)

Os carros de outras categorias do automobilismo não ficam de fora. A grande estrela é a lendária 250 Testa Rossa, com um motor de 300 cavalos de potência, que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1958, 1960 e 1961 – uma de suas unidades foi leiloada em 2011 por 16 milhões de dólares. Le Mans faz um carro ficar famoso. Mito é outra coisa.

Os esportivos de rua, sonhos de consumo de aficionados de todo o planeta, também estão lá, claro. E hipnotizam. Desde o 250 GTO de 1962, avaliado em 38 milhões de dólares, ao modelo F40 de 1987.

Essa joia com motor V8 de 478 cavalos foi o último triunfo que Enzo Ferrari viu sair de sua fábrica – ele morreria em 1988, aos 90 anos. Orgulhoso, ele declarou no lançamento: “Se Deus fosse uma máquina, certamente seria uma F40”.

O berço da Ferrari

Museu Enzo Ferrari A primeira sede da Ferrari, ao lado do moderno museu

A primeira sede da Ferrari, ao lado do moderno museu (reprodução/Divulgação)

Já o museu de Modena foi criado no local em que Enzo Ferrari fundou, em 1929, a escuderia que levava seu sobrenome e preparava carros de corrida para a Alfa Romeo, uma montadora de porte. A mudança de Modena para a vizinha Maranello aconteceria durante a Segunda Guerra Mundial por causa de bombardeios e, em 1947, a Ferrari passou a ser uma escuderia com vida própria, sem ligação com a Alfa.

Museu Ferrari As Ferrari de rua modificadas para correr, junto com seus motores

As Ferrari de rua modificadas para correr, junto com seus motores (reprodução/)

O espaço em que ficava a primeira sede ferrarista está aberto a visitação. Há até uma réplica do escritório de Enzo Ferrari – inclusive, há quem tome um susto com a estátua de cera do comendador, posicionada no fundo dessa sala como se ele estivesse observando todo e qualquer movimento.

Além das instalações históricas, o Museu Enzo Ferrari tem coleções interessantes de veículos. Algumas exposições são temporárias, como a da coleção particular do tenor Luciano Pavarotti, um apaixonado por automóveis que desfrutou da amizade do comendador (que, por sua vez, era um apaixonado por óperas).

Museu Ferrari Uma das exposições temporárias: astros do rock (como Rod Stewart) e suas Ferrari

Uma das exposições temporárias: astros do rock (como Rod Stewart) e suas Ferrari (reprodução/Divulgação)

Dicas para planejar a sua ida

É claro que há motivos de sobra para fazer uma viagem apenas para Maranello. Mas mesmo um fanático pela Ferrari terá férias ainda mais inesquecíveis se combinar essa visita com a passagem por cidades próximas. Como um roteiro pela tradicional região da Toscana.

De carro a partir de Maranello, pode-se ir em, no máximo, duas horas a cidades como Florença, Pisa, Lucca e outras tão belas.

É importante ficar atento para os preços em Maranello, sobretudo para hospedagem, que não são dos mais atraentes, justamente pela menor oferta de hotéis. Mas isso pode ser contornado se você se instalar em cidades vizinhas como Parma – há opções melhores de hospedagem e preços mais acessíveis, e a ida até Maranello dura menos de 45 minutos de carro.

É recomendável uma pesquisa bem minuciosa de acordo com seu bolso antes de planejar seu passeio à meca ferrarista.

Uma Ferrari para a VIP

Você pode também fazer o roteiro em grande estilo: pilotando uma Ferrari, é claro! Mas o ideal é contratar serviços de locadoras conhecidas.

Fuja dos que oferecem andar numa Ferrari por uns poucos minutos, pois não há nenhuma legislação sobre esse serviço e você pode entrar numa roubada (lembre-se: a Itália em muitos aspectos não difere do Brasil no tratamento a turistas).

Já eu dirigi uma graças ao trabalho de jornalista. Com a missão de viajar até Maranello e escrever sobre o museu, acabei conseguindo algo que só multiplicou minha empolgação. Dias depois de acertar minha visita, recebi a confirmação de que poderia pegar na fábrica uma Ferrari California T para andar com ela por um dia e avaliá-la para VIP!

Museu Ferrari

 (reprodução/Divulgação)

Só a chegada já vale o momento: entrar na famosa sede da Ferrari, a mesma que você pode ver em filmes sobre F1. Peguei a chave do carro, recebi instruções e saí para a rua. Detalhe: o semáforo fecha para a avenida e dá o verde para quem sai da fábrica. Prioridade. Isso sim é ser VIP – com a vantagem que também evita que você já cometa uma barbeiragem logo na saída, convenhamos.

É claro que há uma tensão natural ao estar no comando de um carro avaliado em 1,6 milhão de reais no Brasil. Mas basta acelerar suavemente na primeira esquina para ver que o motor 3.9 litros turbo com 560 cavalos de potência não está para brincadeira.

No trânsito local, o carro parece até impaciente. Mas na estrada… aí ele está no seu habitat. Confesso que gostaria muito de ter feito essa avaliação na Alemanha, onde não há limite de velocidade em certas autobahn! Mas só o fato de fazer zero a 100 km/h em 3,6 segundos já valeu a pena. É uma chicotada e tanto – e olha que eu já pilotei um F1 Lotus Renault em Paul Ricard há dois anos.

Museu Ferrari Ferraris brancas: no passado, isso era inimaginável

Ferraris brancas: no passado, isso era inimaginável (reprodução/)

O câmbio de sete marchas, com “borboletas” atrás do volante, me faz lembrar da Ferrari que acabei de ver no museu, com a qual Nigel Mansell ganhou o GP Brasil de 1989. E o barulho da troca de marcha também é digno de um F1.

A mudança para a função Sport, com a chave no volante, me faz sentir meio como o Sebastian Vettel mudando suas configurações na atual Ferrari da F1. É justamente nesse momento de sonho que o despertador toca e vejo que é hora de voltar para devolver a máquina. Despertador? Sim, eu programei o timer do celular porque sabia que o risco de continuar sonhando acordado era grande. 


5 obras-primas da coroa ferrarista

1. Ferrari 166 F2 (1948)

Ferrari 166 F2 Tão bom que, três anos depois de feito, ganhou o primeiro GP de F1 da Ferrari

Tão bom que, três anos depois de feito, ganhou o primeiro GP de F1 da Ferrari (reprodução/)

 

2. Ferrari 250 GT Berlineta (1956)

Ferrari 250 GTO O carro mais caro do mundo. Em 2013, um desses foi vendido por US$ 38 milhões

O carro mais caro do mundo. Em 2013, um desses foi vendido por US$ 38 milhões (reprodução/Divulgação)

 

3. Ferrari 250 GTO (1962)

Ferrari 250 GT Berlinetta Com design de Pininfarina, venceu quatro corridas de estrada Tour de France

Com design de Pininfarina, venceu quatro corridas de estrada Tour de France (reprodução/Divulgação)

 

4. Ferrari F300 (1998)

Ferrari F300 O embrião dos carros com que Schumacher ganhou cinco títulos seguidos

O embrião dos carros com que Schumacher ganhou cinco títulos seguidos (reprodução/Divulgação)

 

5. Ferrari FXX K (2014)

Ferrari FXX K Um demônio de 1.050 cavalos feito apenas para andar em autódromos. Coisa fina

Um demônio de 1.050 cavalos feito apenas para andar em autódromos. Coisa fina (reprodução/Divulgação)

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