Google pode ter por você as conversas que você não quer

Empresa apresentou em sua conferência anual para desenvolvedores o "Duplex", um assistente de voz com inteligência artificial

Filme Her Fan art baseada no filme “Her”

Fan art baseada no filme “Her” (Her / Pinterest/Reprodução)

Um dos assuntos mais quentes no mundo da tecnologia é a combinação de inteligência artificial, machine learning e os assistentes de voz.

Os nerds estão trabalhando duro para que o futuro exposto no filme Her, de Spike Jonze, se torne realidade.

Durante o evento para desenvolvedores I/O, o Google apresentou uma demo de como estamos próximos — e ao mesmo tempo como não estamos preparados — para um futuro em que humanos e softwares irão interagir sem saber quem é quem.

A tecnologia do Google foi batizada de Duplex e é resultado de anos de pesquisa e milhões investidos em uma combinação de inovações que, juntas, aproximam a capacidade de uma máquina se passar por uma pessoa.

Google Duplex

 (Google Duplex/Divulgação)

Um dos exemplos apresentados é um agendamento em um cabeleireiro; o segundo, uma reserva de um restaurante.

Em ambos os casos o robô liga e interage com o interlocutor como se fosse uma pessoa: a voz pausa, muda de entonação, ele usa gírias e improvisa de acordo com o feedback.

Tudo de forma dramaticamente real. A ideia do Google é que possamos terceirizar para nossas secretárias digitais tarefas do dia a dia como essas.

É tudo muito impressionante e a tecnologia não irá parar, queiramos ou não, porém está na hora de as consequências éticas serem colocadas na equação e usadas como um contraponto de decisão sobre o que devemos ou não fazer.

A questão da tecnologia com responsabilidade está em 9 de 10 conversas com os líderes do Vale do Silício.

Satya Nadella, presidente da Microsoft, é um dos que defendem a necessidade de desenharmos as inovações como possibilidade de conter possíveis efeitos colaterais na sociedade.

No caso do Duplex do Google, uma pergunta óbvia é se o software, ao começar a ligação, deve dizer para o outro lado que não é uma pessoa falando.

Outro possível efeito colateral é o uso da tecnologia para terceirização de conversas difíceis, como terminar com a namorada. É correto? É ético? O mundo à nossa frente irá levantar ainda muitas questões como essas.


Marcelo Tripoli é publicitário, geek e empreendedor serial, além de autor do livro “Meaningful Marketing”.

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