Instagram: a rede evolui sem parar

Farhad Manjoo

© 2017 New York Times News Service

Em um encontro recente com todos os seus funcionários, Kevin Systrom, fundador e chefe executivo do Instagram, mostrou um de seus gráficos favoritos: Dias para Atingir os Próximos 100 Milhões de Usuários. “É o único gráfico da empresa que nós celebramos quando o número diminui”, afirmou Systrom em uma entrevista recente na sede do Instagram em Menlo Park, na Califórnia.

Pouco tempo atrás, a rede social do Facebook baseada em fotos crescia em velocidade constante. A cada nove meses, sem falhas, o Instagram somava 100 milhões de novos usuários em algum lugar do mundo. Então, no ano passado, começou a acumular mais pessoas todos os dias. Foi de 500 milhões de usuários para 600 milhões em apenas seis meses.

Recentemente, apenas quatro meses depois de chegar a esse número, a empresa anunciou que havia atingido outro: agora cerca de 700 milhões de pessoas usam o Instagram todos os meses, com mais ou menos 400 milhões checando a rede diariamente.

Fui visitar Systrom porque sou um dos novos 100 milhões. Tecnicamente, entrei no Instagram anos atrás, mas usava o aplicativo apenas ocasionalmente. Nos últimos meses, no entanto, comecei a utilizar mais, e agora o checo várias vezes por dia. Com isso, percebi algo sobre o aplicativo de compartilhamento de fotos: ele está se tornando o próximo Facebook do Facebook.

Parte do que me deixou interessado em usar mais o Instagram foi a guerra entre o Facebook e o Snapchat, o aplicativo de mensagem por imagens que realmente criou novas formas de comunicação on-line – e cujas características foram copiadas recentemente pelo Instagram e por outras subsidiárias do Facebook.

Mas, quando comecei a usar o Instagram, descobri algo surpreendente: o aplicativo melhorou os recursos que imitou do Snapchat. Além disso, por boa parte do ano passado foram incluídas várias outras características também. Entre elas estão a mostra das fotos a partir de uma classificação por algoritmos personalizados e não por cronologia, vídeos ao vivo, a possibilidade de publicar galerias de fotografias e novos design e logotipos (controversos).

O Instagram agora está mudando substancialmente a experiência diária de usar o serviço com uma velocidade que normalmente pareceria imprudente para uma rede social de seu tamanho. Mas, ao invés de assustar os usuários, seus movimentos confiantes parecem estar valendo a pena.

É difícil quantificar. Minha experiência subjetiva pode não coincidir com a sua (muita gente, por exemplo, diz que detesta a nova maneira de mostrar as fotos com base no algoritmo). Mas, para mim, as várias mudanças tornaram o aplicativo uma rede social que parece mais útil, interessante e divertida do que no ano passado. Em parte por causa dos novos recursos, mas uma razão mais importante é que as novas características parecem ter mais utilidade. As redes ficam melhores quando mais gente as usa com mais frequência; quanto mais eu uso o Instagram, mais coisas tenho visto de mais gente e mais quero usar.

Dessa maneira, o Instagram gerou um eco – parece o Facebook. Mais precisamente, parece o que o Facebook fazia de 2009 a 2012, quando silenciosamente cruzou a linha entre uma daquelas coisas tecnológicas que algumas pessoas usam às vezes para uma daquelas coisas tecnológicas que todo mundo que você conhece utiliza todo dia.

De certa forma, não é uma surpresa. O Instagram tem crescido muito desde que entrou em funcionamento em 2010, e sob o Facebook – que comprou a empresa por 1 bilhão de dólares cinco anos atrás – tem amplos recursos para continuar crescendo. Mas, com 700 milhões de usuários, está em um território praticamente inexplorado.

Existem redes sociais maiores: o Facebook tem quase dois bilhões de usuários por mês, e dois de seus aplicativos de mensagens, o WhatsApp e o Messenger, cresceram além da marca de um bilhão de usuários. Na China, o WeChat também agrega mais gente.

No ano passado, poderíamos ter nos questionado se um serviço baseado em fotos como o Instagram poderia atingir uma escala parecida – se era universal o bastante, se havia gente suficiente com telefones capazes de lidar com ele, se podia sobreviver a uma competição com novas redes de fotografia como o Snapchat.

Systrom afirmou que o plano de aumentar rapidamente o ritmo de mudanças com o objetivo de atrair mais usuários foi deliberado.

“A razão principal por que nós crescemos mais rapidamente nos últimos 100 milhões é que descobrimos que, à medida que ampliávamos o número de usuários, tínhamos que nos libertar”, contou ele. O que ele quis dizer é que o Instagram sistematicamente analisou os pontos de estrangulamento de seus serviços e tentou eliminá-los. Então, procurou possíveis oportunidades para servir melhor os usuários e se empenhou para aplicá-las o mais rapidamente possível,

Parece uma atitude comum, mas as redes sociais algumas vezes ficam reféns de seus usuários mais leais, que tendem a detestar mudanças (como os do Twitter). O Facebook sacudiu essa tendência. À medida que vai crescendo, adapta constantemente seus recursos para ser mais coisas para mais pessoas. Systrom está seguindo a mesma cartilha.

“O que mais gosto de perguntar para minha equipe é: vocês acham que o Instagram pode ficar de que tamanho?”, disse ele. “Normalmente a gente chega a grandes números, e definitivamente é mais de duas vezes o tamanho que temos hoje. Então, posso dizer com confiança que a maioria das pessoas que vai eventualmente usar o Instagram não entrou no aplicativo ainda.”

Systrom é fã das teorias acadêmicas de negócios, especialmente a de Clay Christensen, cujo Innovator’s Dilema (O Dilema do Inovador) fala sobre a tensão entre servir um público estabelecido em detrimento de um aumento no número potencial de usuários. A constatação de que o Instagram poderia se tornar muito maior do que é hoje foi libertadora, contou Systrom, dando à empresa a confiança para continuar mudando.

Alguns dos gargalos que a companhia solucionou no ano passado eram internos. Por exemplo, Systrom e o outro fundador, Mike Krieger, descobriram que um dos principais obstáculos era sua própria maneira de tomar decisão. Assim, nos últimos três meses, começaram a realizar reuniões em que apenas resolvem várias questões.

Outro problema envolvia correções técnicas. Agora, mais de 80 por cento dos usuários do Instagram estão fora dos Estados Unidos, e o serviço está crescendo de modo especialmente rápido em regiões da Ásia e da América do Sul que possuem muitos celulares com sistema Android fraco e redes lentas. Por isso, uma grande parte dos esforços de engenharia do Instagram foi fazer o aplicativo do Android funcionar melhor fora dos Estados Unidos. Por exemplo, depois que o Instagram lançou o Stories – o recurso de vídeo que copiou do Snapchat – passou um mês adicionando melhorias de velocidade para mercados internacionais.

“O que vemos é que o aperfeiçoamento do desempenho leva a melhorias no uso do mesmo nível que um novo recurso acrescentaria”, disse Krieger.

E há a decisão do Instagram de incorporar recursos desenvolvidos pelo Snapchat, sobre a qual Systrom não pensa em pedir desculpas. Ele dá crédito ao Snapchat, mas afirma que o Stories não é um novo recurso, mas um novo formato digital que poderia ser amplamente reinterpretado em vários produtos.

“Não sei muito sobre a história dos carros, mas vamos dizer que o Modelo T foi o primeiro”, explicou ele. “O que você pensa que as montadoras de automóveis além da Ford estavam pensando? Estamos copiando a Ford, ou esse é novo modo de transporte para todo mundo e cada um vai fazer suas adaptações?”

Pode soar muito defensivo, mas não é exatamente errado. Se você comparar o modo como o Stories funciona no Instagram com o do Snapchat, eles realmente são parecidos. Mas o contexto dos dois aplicativos – o fato de que o Instagram tende a promover redes maiores em que as pessoas mantêm perfis mais refinados, enquanto o Snapchat encoraja redes menores e mais íntimas – muda a natureza do formato. O Stories do Instagram parece diferente da versão do Snapchat porque existem pessoas variadas nas duas redes usando-os por motivos diversos.

E para mim a versão do Instagram oferece uma experiência superior por uma razão óbvia: eu conheço mais gente lá, e você provavelmente também.

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