Jovens criam eventos nas redes sociais em reação a ataques

Desde sábado, os convites para festas se multiplicam como atos de resistência, invocando a liberdade dos prazeres

Assim como os cerca de 50.000 que confirmaram presença, pelo Facebook, no evento “Orgia gigante Praça da República” – em reação aos atentados da última sexta-feira -, com humor e uma dose de provocação, vários franceses estão reivindicando on-line seu direito à liberdade nos costumes.

Desde sábado, os convites para festas se multiplicam como atos de resistência, invocando a liberdade dos prazeres: música, álcool, amores homo e heterossexuais e a liberdade religiosa.

Até esta segunda-feira, pelo menos 30.000 diziam querer participar do evento “Let’s play, Paris é sempre uma festa”.

Convites para comer e beber nos terraços, jardins e varandas – “Tous au Bistrot” – se replicaram em dezenas de eventos no Facebook por toda a França, com slogans que se transformam em ato político: “porque é preciso continuar a viver”, “porque não temos medo”, “vamos mostrar a eles que não nos dobraremos jamais”.

“Je suis … en terrasse”, postam os internautas, em referência a “Je suis Charlie”, expressão que correu o mundo e marcou a solidariedade com o semanário satírico francês de mesmo nome, atacado por jihadistas no início de janeiro.

Nesse mesmo espírito, milhares de pessoas compartilharam em suas redes sociais uma “Carta ao Daesh” (acrônimo em árabe para Estado Islâmico), intitulada “Sim, eu sou imoral e idólatra” (em tradução livre), escrita por um habitante de Toulouse, em homenagem à prima, morta nos atentados de sexta-feira, em Paris.

“Caro Daesh”, escreve, “eu tenho uma confissão: eu também sou um imoral e um idólatra. Eu amo a vida, o rock, os restaurantes e, às vezes até, assistir a uma partida de futebol. Mea culpa, mea maxima culpa. Eu sou um Cruzado, como você diz. Um Cruzado da liberdade, do amor e da convivência”.

“Minha prima era uma mulher livre e feliz”, lembra, acrescentando que “horror supremo, também era uma intelectual, que amava sua profissão de professora de Letras na faculdade”.

“Porque, sim, aqui, as mulheres não apenas têm o direito de estudar, como também de ensinar. Assim como têm o direito de ir aonde tiverem vontade, ouvir música, beber álcool e gostar de quem quiserem”, continuou.

“Resumindo, de aproveitar essa liberdade que lhes causa tanto horror. E Paris, ‘a capital das abominações e da perversão’, como vocês dizem, há muito tempo se tornou representante dessa liberdade”, completou.

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