Mais da metade da população global continua offline, diz UIT

São 3,9 bilhões de pessoas desconectadas, o que corresponde a 53% da população no planeta

A maioria da população global ainda não está na Internet, e os homens são mais conectados do que as mulheres em todo o mundo, de acordo com estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) divulgado nesta sexta-feira, 22.

São 3,9 bilhões de pessoas desconectadas, o que corresponde a 53% da população no planeta.

Do total de conectados, há um grande dividendo digital entre os países desenvolvidos, com penetração de 81%, e os em desenvolvimento, com 40%. Nos países mais carentes, a taxa é de apenas 15%.

Há ainda outro problema que também merece atenção: é maior a penetração de Internet entre homens do que em mulheres em todas as regiões no mundo.

Na verdade, o gargalo cresceu de 2013 para 2016: de 11% para 12%, o que equivale a uma diferença de penetração de 6,2 pontos percentuais (p.p.) entre os gêneros.

Há maior desigualdade na África, com 23% (6,5 p.p.), enquanto nas Américas há menor diferença, com 2% (1,2 p.p.).

Na divisão geográfica, a África é onde há menos penetração de Internet: 74,9% não possuem acesso. Os Estados Árabes e a Ásia Pacífico têm 58,4% e 58,1%, respectivamente, enquanto as Américas contam com 35% da população sem conexão.

A Comunidade de Estados Independentes (CEI, formada por 11 países da antiga União Soviética) e a Europa apresentam percentual de 33,4% e 20,9% de pessoas offline, respectivamente.

A título de comparação, o Brasil se enquadra entre os países com percentual entre 26% e 50% de desconectados – faixa que divide com países como México, Argentina, Chile, China, Portugal e Itália.

Para o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao, o acesso à banda larga pode servir como um grande acelerador para a agenda de desenvolvimento sustentável para 2030 das Nações Unidas.

“A interconectividade global está expandindo rapidamente, embora seja necessário fazer mais para diminuir o dividendo digital e trazer mais da metade da população global que não usa a Internet na economia digital”, disse Zhao em comunicado.

Mobilidade

A boa notícia é que a cobertura de rede móvel está se tornando praticamente onipresente, atingindo potencialmente cerca de 95% da população no mundo, ou próximo de 7 bilhões de pessoas. Isso inclui não apenas tecnologias mais recentes, mas também a 2G.

O LTE atualmente cobre 53% da população, cerca de 4 bilhões de pessoas.

Mas a UIT ressalta que, embora o crescimento do número de acessos de banda larga móvel tenha sido de dois dígitos em países em desenvolvimento, onde a penetração é de 40,9%, o crescimento em escala global tem sido reduzido.

O total de acessos deverá chegar a 3,6 bilhões ao final deste ano, contra 3,2 bilhões no final de 2015.

Nos países desenvolvidos, há cerca de 1 bilhão de usuários de Internet móvel (90,3% de penetração), contra 2,5 bilhões em países em desenvolvimento (40,9%). Os países subdesenvolvidos têm 19,4% de penetração.

A região de maior penetração é a que engloba as Américas, com 78%. Seguem a Europa, com 76,6%; CEI, com 53%; Estados Árabes, com 47,6%; Ásia/Pacífico, com 42,6%; e África, com 29,3%.

Fixa

A penetração da banda larga fixa deverá chegar a 11,9% em 2016. Também na fixa há um grande gargalo entre os países desenvolvidos, com 30,1% de penetração, e as nações em desenvolvimento, com 8,2%. As menos desenvolvidas tem apenas 0,8%.

A região com maior presença da banda larga fixa é a Europa, com 30%, seguida das Américas, com 18,9%; CEI, com 15,4%; Estados Árabes, com 4,8%; e África, com 0,7%.

Vale ressaltar que o crescimento forte na China deverá fazer com que a região da Ásia/Pacífico chegue aos 10,5% ao final do ano, ainda de acordo com a previsão da UIT.

Preço e velocidade

Ao final de 2015, 83 países em desenvolvimento entraram na zona de acessibilidade econômica (“affordability”) da Comissão de Banda Larga da UIT. Essa faixa determinava que o preço do serviço não poderia ser maior do que 5% da renda média mensal.

Em faixa de velocidade também há um grande caminho a percorrer. Segundo o estudo, três a cada quatro conexões fixas tinham velocidade nominal de 10 Mbps ou mais em países desenvolvidos, contra dois em quatro em países em desenvolvimento.

Essa faixa de velocidade é a maioria no Brasil, segundo a UIT, deixando o País proporcionalmente à frente da Itália (embora com menos acessos no total) e da Colômbia, por exemplo.

A capacidade da banda internacional chegou a 185 mil Gbps em 2015, contra 30 mil Gbps em 2008. Entretanto, essa capacidade está distribuída de forma desigual, deixando gargalos de conectividade em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

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