Peixe que caminha é uma das espécies descobertas no Himalaia

Entre as descobertas figuram o "peixe com cabeça de serpente que caminha" e pode respirar ar e sobreviver quatro dias em terra firme

Um macaco que espirra sob a chuva e um peixe que caminha figuram entre as mais de 200 espécies descobertas no leste do Himalaia, segundo um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Estas duas descobertas integram uma lista estabelecida e divulgada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que tem por objetivo sensibilizar a opinião pública sobre as ameaças que pendem sobre esta frágil região.

O WWF inventariou as descobertas de cientistas nos últimos anos no Butão, no nordeste da Índia, no Nepal, no norte de Mianmar e no sul do Tibete.

Estas 211 novas espécies descobertas entre 2009 e 2014 incluem 133 plantas, 26 peixes, 10 anfíbios, 39 invertebrados, um réptil, um pássaro e um mamífero.

Uma da espécies mais curiosas é a do “peixe com cabeça de serpente que caminha”, pode respirar ar, sobreviver quatro dias em terra firme e rastejar até 400 metros em solo úmido.

Também chamam a atenção a cobra cascavel vermelha, amarela e alaranjada que se parece com uma joia, um peixe “drácula” com pequenos incisivos e um novo tipo de banana.

Nas florestas do norte de Mianmar os cientistas descobriram em 2010 um macaco branco e preto, com o nariz arrebitado que o faz espirrar quando chove.

Nos dias de chuva, este macaco permanece sentado com a cabeça entre os joelhos para que o nariz não encha de água.

Há pouco tempo os cientistas conseguiram tirar fotos deste macaco, chamado pelos habitantes de “Snubby” (Trompete) pela forma de seu nariz.

Esta espécie, que também foi detectada na província chinesa de Yunan, vai ser incluída na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) com o status de espécie “em risco de extinção”.

Esta região, na qual também se encontra o Everest, é um tesouro que ainda não foi totalmente explorado pelos cientistas, afirmou Dipankar Ghose, diretor da WWF na Índia.

Nesta zona de montanhas e florestas, muitas espécies evoluíram e sobreviveram durante séculos protegidas de qualquer influência humana.

No entanto, a WWF adverte contra as ameaças que podem enfraquecer estas espécies, em particular o avanço da presença humana em seus territórios, o desmatamento, a exploração mineradora e hidráulica e a caça.

Apenas 25% do habitat natural está intacto e centenas de espécies estão em perigo, disse o documento.

“O desafio consiste em preservar nosso ecossistema em risco antes que estas espécies – e outras ainda desconhecidas – desapareçam”, disse Sami Tornikoski, responsável do programa da WWF para o Himalaia.

A ONG pede um desenvolvimento mais sustentável nesta região, em particular a construção de centrais hidrelétricas que protejam o meio ambiente e ajudem as comunidades locais a se adaptarem às mudanças climáticas.

Dipankar Ghose insiste, por sua vez, na necessidade de uma cooperação entre os diferentes governos da região para ter uma visão global que permita um compromisso entre as necessidades de desenvolvimento e a proteção das espécies.

Atualizado às 11h24.

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