Premiada com Nobel de Medicina não ficou surpresa

"Pesquisamos durante várias décadas, portanto este prêmio não é uma surpresa", explicou na noite de segunda-feira esta farmacologista aposentada de 84 anos

A chinesa Tu Youyou, vencedora do Nobel de Medicina 2015, afirmou não ter ficado surpresa com a recompensa, que considerou uma “honra para o conjunto dos cientistas chineses”, informou um jornal local.

“Pesquisamos durante várias décadas, portanto este prêmio não é uma surpresa”, explicou na noite de segunda-feira esta farmacologista aposentada de 84 anos ao jornal da província de Zhehiang (leste), o Qianjiang Evening News, em uma entrevista por telefone.

Muito procurada pela imprensa desde o anúncio do prêmio na segunda-feira, Tu, que sofre de diabetes e se encontra em um estado de saúde delicado, “está muito cansada”, disse à AFP seu marido, Li Tingzhao, contactado por telefone.

“Não sai com frequência” e “não planeja dar uma coletiva de imprensa”, declarou.

Li não indicou se sua esposa poderá comparecer à cerimônia de entrega de prêmios no fim do ano e disse esperar detalhes do comitê Nobel.

Tu Youyou, especialista na medicina tradicional chinesa e no tratamento contra a malária, explicou que soube da notícia pela televisão e que esta “não lhe causou uma impressão particular”, segundo o jornal provincial.

“Estou um pouco surpresa, mas não muito. Porque (este prêmio) não é uma honra que prestam apenas a mim, é uma honra ao conjunto de cientistas chineses”, explicou Tu, que em setembro de 2011 já havia recebido o prestigiado prêmio Albert Lasker, considerado um potencial precursor do Nobel de Medicina ou Física para os que o obtém.

Tu Youyou descobriu um tratamento particularmente eficaz contra a malária graças a um extrato da planta ‘Artemisia annua’, um “presente da medicina tradicional chinesa aos povos do mundo”, declarou na segunda-feira à agência de notícias Xinhua.

Nesta terça-feira, recebeu em sua casa o presidente da Universidade de Pequim – a mais prestigiada da China – da qual se diplomou para a Academia de Medicina em 1955, disse seu marido.

O Nobel foi atribuído em conjunto a ela, a William Campbell – um americano nascido na Irlanda -, e ao japonês Satoshi Omura, por seu tratamento contra as infecções parasitárias causadas por vermes.

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