Sistema de mísseis é adaptado para carros autônomos

A Mitsubishi Electric, fornecedora de mísseis para o Japão, está procurando adaptar as tecnologias desenvolvidas para uso militar para ajudar carros autônomos

A Mitsubishi Electric, fornecedora de mísseis ar-ar para as forças armadas do Japão, está procurando adaptar as tecnologias originalmente desenvolvidas para uso militar para ajudar os carros autônomos a detectarem obstáculos e evitarem colisões.

Componentes como radares de ondas milimétricas, sonares, sensores e câmeras — alguns desenvolvidos para guiar mísseis — estão sendo adaptados para uso nos veículos autônomos que chegarão às ruas em 2020, disse Katsumi Adachi, engenheiro-chefe sênior da divisão de equipamentos automotivos da Mitsubishi, em entrevista.

A divisão recebeu encomendas de sistemas de freio automático e instrumentos que ajudam o veículo a se manter em sua pista, disse ele.

A fornecedora japonesa está tentando tirar o atraso em relação à Continental, à Denso e à Hitachi Automotive Systems na oferta de tecnologias de assistência, que está se transformando cada vez mais em oferta padrão nos novos modelos de veículos. Embora os concorrentes tenham uma vantagem, Adachi diz que a Mitsubishi será capaz de oferecer sistemas superiores no ano que vem, que tirarão proveito de seu conhecimento em sensores de alta precisão e dos sistemas de direção elétrica.

“Tudo o que temos que fazer é unir os componentes que já temos”, disse Adachi, na cidade de Ako, a cerca de 600 quilômetros a oeste de Tóquio, onde a Mitsubishi mantém uma pista para testar os carros que têm seus sistemas instalados. “Nenhuma das nossas concorrentes tem um leque tão amplo de capacidades”.

O mercado global para recursos de assistência ao motorista, como alerta de colisão e freio automotivo de emergência, deverá dobrar para cerca de US$ 17 bilhões em receitas anuais até 2021, segundo projeção da IHS Automotive. O impulso da Mitsubishi para este segmento ocorre após um crescimento lento em alguns de seus negócios, como eletrodomésticos.

Desafio do custo

O desafio para a Mitsubishi seria reduzir os custos para uso de tecnologias desenvolvidas para setores como o aeroespacial, segundo Goro Tanamachi, analista da IHS em Tóquio.

“Os pedidos de corte de custos são muito mais severos no setor automotivo que no aeroespacial”, disse ele. “Eu me pergunto se é possível que eles reduzam o custo dos sistemas para níveis nos quais as fabricantes possam usá-los em carros baratos e populares”.

A Mitsubishi iniciará a produção dos componentes para os sistemas de manutenção na faixa e de freio automático no ano fiscal que começa em abril de 2017. E no ano fiscal seguinte a empresa também poderá começar a fabricar sistemas de estacionamento automático, segundo Adachi.

A empresa japonesa combinará as tecnologias sensoras com seu Quasi-Zenith Satellite System, que enviaria os dados de localização mais atualizados para os veículos, disse Adachi. A Mitsubishi terá mais três satélites desse tipo em órbita geoestacionária sobre o Japão em torno de 2018 para coletar dados 24 horas por dia, disse ele.

A Mitsubishi, que demonstrou um protótipo de direção autônoma no Salão do Automóvel de Tóquio, no ano passado, após iniciar o desenvolvimento de tecnologias de assistência ao motorista dois anos antes, foi encorajada pela demanda pelo sistema EyeSight da marca Subaru, da Fuji Heavy Industries, segundo Adachi. O sistema da Subaru combina assistência para manutenção na pista, controle de freio pré-colisão e controle de cruzeiro adaptativo para melhorar a segurança.

As vendas dos sistemas avançados de assistência ao motorista deverão igualar as receitas com direção elétrica e alternadores, disse Adachi, sem informar um cronograma. Os dois negócios são os que mais colaboram com a receita da divisão de componentes automotivos, que responde, por sua vez, por cerca de metade das vendas anuais da empresa, de 1,3 trilhão de ienes (US$ 11,4 bilhões), com o segmento de automação industrial, disse ele.

“A essa altura ainda temos muitos desafios”, disse Adachi. “Há um longo caminho a percorrer”.

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