Startups nacionais devem ousar mais, diz gerente da Samsung

Antonio Marcon falou com a EXAME.com sobre o programa de economia criativa da empresa sul-coreana, o papel do Brasil na inovação mundial e muito mais

São Paulo – As startups brasileiras precisam intensificar a sua densidade tecnológica se querem ter mais poder no mercado internacional. Quem faz essa leitura é Antonio Marcon, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Samsung Brasil.

“Precisamos criar mais companhias brasileiras voltadas para a importação e com um foco na construção de propriedade intelectual de produtos, como algoritmos e softwares”, explicou Marcon em entrevista a EXAME.com.

O executivo esteve em São Paulo na última quinta-feira para concluir a primeira etapa do Programa de Promoção da Economia Criativa. Promovido pela Samsung, em parceria com a Associação de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e o Centro de Economia Criativa e Inovação da Coreia do Sul, o projeto acelerou oito startups brasileiras durante janeiro e julho de 2016.

Durante a conversa, Marcon contou o que a Samsung ganha com esse programa, o que o Brasil precisa mudar para ter um papel mais importante na inovação global, entre outros assuntos.

EXAME.com – O que uma startup pode trazer para uma grande corporação?

Antonio Marcon – O principal motivo do envolvimento da Samsung com startups é o acesso privilegiado a tecnologias emergentes. A empresa conta com o suporte dessas startups como geradoras de novas tecnologias e de novos modelos de negócios.

É óbvio que uma grande empresa precisa se capacitar para exercer essa relação com sucesso. Por isso, a Samsung estabeleceu uma unidade de relacionamento com sistemas abertos de inovação.

Uma startup é naturalmente flexível, mas também limitada. Esse canal entre a Samsung e as startups potencializa esse modelo de negócio, principalmente no contexto de exportação.

Nós precisamos que os campos da inovação, da pesquisa e dos negócios se conectem e criem um aprendizado contínuo para as startups e as grandes empresas. O nosso projeto faz isso acontecer, mas ainda está dando seus primeiros passos.

Apesar da importância regional, o Brasil não tem papel de peso na inovação global. O que precisamos fazer para mudar isso?

O Brasil tem uma produção intelectual muito grande e publicamos muitos estudos nas conferências internacionais. Por isso, o nosso país é respeitado e conhecido no contexto acadêmico.

No mercado internacional, o Brasil também não é um estranho. Porém, precisamos que mais empresas de base tecnológica sejam criadas. Para isso acontecer, teremos que desenvolvê-las em termos quantitativos e qualitativos. Isso significa que precisamos criar mais companhias voltadas para a exportação e com maior densidade tecnológica, ou seja, um foco mais pesado na construção de propriedade intelectual de produtos, como algoritmos e softwares. Se trabalharmos nesses dois pilares, as startups brasileiras terão mais poder no mercado internacional.

Para ser bem franco, nós precisamos ousar mais. Temos que parar de olhar de maneira regional e pensar mais de maneira global. No nosso programa, nós já fazemos isso. Em agosto, duas startups selecionadas pelo projeto estão embarcando para a Coreia do Sul para que participem de uma aceleração internacionalizada. Lá, elas terão a oportunidade de conhecer potenciais investidores, clientes, bem como práticas novas de empreendedorismo.

Como o intercâmbio com a Coreia será benéfico para as startups selecionadas no programa?

Quando os projetos se iniciaram, todos eram orientados para o mercado brasileiro, alguns até exclusivamente para as suas regiões. Assim, o grau de alcance desses projetos era muito tímido. Com a contribuição do grupo de experiência do usuário da Samsung, a gente aperfeiçoou os projetos para que eles tivessem um olhar global e pudessem ser exportados.

Primeiro, nós trouxemos a experiência da economia criativa da Coreia para as incubadoras nacionais. Uma segunda grande contribuição foi exatamente a perspectiva de uma exposição internacional.

Nós também estamos recebendo no Brasil as startups coreanas. Esperamos que esse intercâmbio contribua intelectualmente tanto para os empreendedores brasileiros, quanto para os coreanos.

Qual é a principal diferença entre as práticas de empreendedorismo na Coreia do Sul em comparação com as do Brasil?

Culturalmente, as práticas de empreendedorismo na Coreia são voltadas para a produção intelectual. No Brasil, a história é bem diferente. Um exemplo disso está no programa da Samsung, em que apenas uma das startups que esteve conosco possuía várias patentes.

Além disso, os negócios da Coreia já vêm com uma densidade tecnológica para o mercado. No Brasil, a gente tem que intensificar a questão da propriedade intelectual, principalmente das patentes, e também indicar novas maneiras de fazer negócio.

Como foram selecionadas as startups que participaram do programa de capacitação?

Na primeira etapa, fizemos uma primeira seleção das incubadoras. Convidamos 300 para participar do processo, que demandava algumas qualificações técnicas baseadas nas leis de informática do Brasil. Durante essa primeira fase, nós pegamos cinco.

Para selecionar as startups, nós abrimos uma chamada para que projetos voltados para a educação digital, saúde digital, segurança de informação e internet das coisas, se inscrevessem no programa. As propostas foram selecionadas pelos executivos da Samsung, da Anprotec e da CCEI Daegu, que chegaram a uma lista de oito empreendimentos.

O programa é muito distinto dos programas tradicionais de aceleração, como os de venture. Aliás, pode-se dizer que esse é o primeiro projeto da Samsung no mundo que utiliza as leis de informática de um país.

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