United Launch Alliance e SpaceX disputam setor de foguetes

A SpaceX de Musk está abalando o setor, antes sereno, com voos de foguetes de baixo custo e propulsores reutilizáveis

Depois que um foguete da United Launch Alliance foi lançado e formou um arco de fogo na Califórnia, na semana passada, Tory Bruno cumprimentou a todos na sala de controle. E depois foi para casa.

Esta é a rotina discreta dele para celebrar cada voo espacial da maior empresa de foguetes dos EUA após 106 missões sem incidentes.

“Eu tomo uma boa dose de uísque puro malte e depois seguimos para o próximo lançamento”, disse Bruno, CEO da joint-venture entre Boeing e Lockheed Martin, em entrevista.

O ritual de Bruno poderá ser abalado pelo bilionário Elon Musk. Com o audacioso plano de colonizar Marte, a SpaceX de Musk está abalando o setor, antes sereno, com voos de foguetes de baixo custo e propulsores reutilizáveis.

A empresa também quebrou a hegemonia da ULA em relação às missões de defesa dos EUA.

“Bruno está na peculiar posição de ter um histórico de desempenho perfeito e estar sob pressão de todos os lados”, disse Loren Thompson, analista de defesa do Instituto Lexington.

“A empresa dele literalmente nunca teve um fracasso em um lançamento, mas ainda assim o governo, suas concorrentes e até mesmo os coproprietários estão aplicando uma pressão contínua para que ele mude a empresa para entregar resultados melhores”.

‘Monasticismo guerreiro’

Os desafios de reformular uma empresa desacostumada a precificar a concorrência não intimida Bruno, 54, um engenheiro mecânico que escreveu livros de administração de empresas baseados nos Cavaleiros Templários da era medieval, explorando temáticas como o “monasticismo guerreiro”.

Desde que saiu da Lockheed e se uniu à ULA, em 2014, Bruno diminuiu o número de executivos em um terço, cortou os custos com fornecedores em 40 por cento e reformulou a produção. Ele está desenvolvendo um foguete para substituir o célebre, porém caro, Delta, que data da era do Sputnik. A meta: competir com recém-chegadas como a SpaceX em um mercado no qual os custos baixos agora triunfam sobre um histórico imaculado.

“Estamos fazendo um grande progresso. Na verdade estamos adiantados em relação aos nossos planos”, disse Bruno, por telefone.

Explosão de foguete

A Space Exploration Technologies de Musk não é capaz de igualar o histórico de uma década de lançamentos perfeitos da ULA. Mesmo assim, a explosão de um dos foguetes Falcon 9 da SpaceX, minutos após o início do voo, em junho, não diminuiu a demanda: a empresa tem uma lista de encomendas de 70 lançamentos programados avaliados em mais de US$ 10 bilhões, segundo seu website.

Depois que a SpaceX ganhou certificação da Força Aérea dos EUA para apresentar proposta para missões de segurança nacional, a ULA não participou da primeira concorrência pelos lançamentos, no ano passado. Um ex-executivo da joint-venture causou tumulto com sua avaliação crítica sobre a licitação e o senador por Arizona John McCain, que tem buscado limitar as importações dos motores de fabricação russa que impulsionam os foguetes Atlas V da aliança.

O preço conta

A aliança optou por não apresentar proposta porque os participantes eram julgados pelo preço, não por seu histórico. Outra cláusula focava na divulgação dos custos. O critério não havia sido incluído em contratos anteriores e “nos coloca em desvantagem competitiva”, disse Bruno.

A ULA e a SpaceX não divulgam seus detalhes financeiros. Sob o comando de Bruno, a ULA cortou pela metade o tempo necessário para construir e lançar o Atlas V. Juntamente com contratos renegociados de fornecedores, as mudanças reduziram os custos de lançamento em cerca de um terço em relação a uma base de US$ 184 milhões. Bruno planeja cortar esses custos para menos de US$ 100 milhões até 2019.

O valor ainda é bastante superior ao preço-base de US$ 61 milhões listado no website da SpaceX para um lançamento. Musk está ampliando ainda mais a pressão pela precificação ao focar na redução dos custos operacionais, que segundo estimativa da AlixPartners já são cerca de 50 por cento menores que os de suas rivais.

A United Launch Alliance está preparando um novo foguete, conhecido como Vulcan, para continuar no jogo. O primeiro voo está previsto para 2019.

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