Xiaomi Redmi 2

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Desde 2013, o cerco fechou para as fabricantes de smartphones. Nessa época, a Motorola lançou o primeiro Moto G, um aparelho com configuração de hardware intermediária e que custava metade do preço do Samsung Galaxy S4, 650 reais, contendo componentes e recursos semelhantes. No ano seguinte, veio o primeiro concorrente de peso: o Zenfone 5, da Asus. Procurando acertar onde o Moto G errava, o aparelho chegou com design atraente e uma câmera razoável, especialmente a frontal. A fabricante chinesa Xiaomi, também conhecida apenas como “Mi”, mirou nas falhas de ambos os smartphones e trouxe para o Brasil o Redmi 2, que tem uma ótima câmera, recursos para selfies e uma longa duração de bateria.

O aparelho de estreia da Mi no mercado nacional não só acerta onde os demais erram, mas também oferece o melhor custo-benefício do momento. O gadget custa 500 reais à vista e 550 reais a prazo. Como nem tudo é perfeito, para cada yin há um yang, um problema do Redmi 2 é a personalização pesada do sistema Android, que ainda nem chegou à versão 5.0 Lollipop e está presa às limitações da edição 4.4.4 KitKat. É inviável, por exemplo, executar o aplicativo de gravação de tela, o AZ Screen Recorder, que permite realizar essa função de maneira simples, sem a necessidade de desbloquear (ou rootear) o dispositivo. Em linhas gerais, o Redmi 2 se sai bem e deve captar parte dos consumidores que, antes, optavam por produtos mais caros.

Design

Este é um dos pontos mais fracos do Redmi 2, apesar do produto ter um bom acabamento geral. A tampa traseira é feita de policarbonato, um plástico que passa por um tratamento químico especial. No entanto, ela não chega a passa a impressão de ser parte de um aparelho refinado, ainda é possível sentir que ela poderia ter um acabamento melhor. Até mesmo as Moto Shells, as capas do primeiro Moto G, têm mais elegância.

No quesito ergonomia, o Redmi 2 também perde para o Moto G, tanto para o de primeira, quanto para o de segunda geração. O que faz falta é a curvatura da tampa traseira, que faz com que ele se encaixe na mão do usuário de forma anatômica.

Foto por: Lucas Agrela

Os botões do smartphone da Mi são capacitivos, ou seja, ele não precisa usar o recurso de maximização da tela que o Android Lollipop tem, algo que acaba reduzindo um pouco o tamanho do display. Outro ponto a ser destacado é que esses botões “físicos” não têm retroiluminação e seguem o padrão de posicionamento usado pela Samsung, que inverte o botão voltar do lado esquerdo para o direito.

Foto por: Luccas Franklin

Por outro lado, a tela de 4,7 polegadas com resolução HD oferece uma boa definição de imagens, ao mesmo tempo que permite ao produto ser, até certo ponto, mais ergonômico do que os smartphones com displays maiores.

Configuração

O Redmi 2 não tem um poder de processamento excepcional, mas ele está acima da média da categoria. Com o um processador Qualcomm Snapdragon 410 rodando a 1,2 GHz, o produto dá conta de todas as tarefas diárias, como acessar redes sociais, navegar pela internet, tirar fotos ou gravar vídeos e jogar alguns games – neste último ponto, com o auxílio da GPU Adreno 306.

Não há muita memória RAM no smartphone da Mi, ele tem 1 GB, enquanto o Zenfone 5 tem dois. No entanto, a diferença entre a quantidade de RAM não chega a ser notada ao usar os dois aparelhos, graças à interface, que é bem feita.

Outro detalhe sobre o processador é que ele usa a arquitetura de 64 bits da Qualcomm. Em termos de comparação, o Redmi 2 é tão potente como o Novo Moto E, como mostram os resultados dos benchmarks abaixo.

AnTuTu (em pontos) Barras maiores indicam melhor desempenho
Redmi 2 20118
Vellamo (em pontos) Barras maiores indicam melhor desempenho
Redmi 2 1938
Quadrant (em pontos) Barras maiores indicam melhor desempenho
Redmi 2 11911
3D Mark (IceStorm Extreme) (em pontos) Barras maiores indicam melhor desempenho
Redmi 2 2661
GeekBench (multi-core) (em pontos) Barras maiores indicam melhor desempenho
Redmi 2 1436

Algo que Redmi 2 tem e que muitos produtos que custam mais de 1 mil reais não é suporte para a rede 4G, ao mesmo tempo que tem duas entradas para chips de operadoras.

No restante, o smartphone é mediano. Ele tem 8 GB de armazenamento interno, entrada para cartões microSD de até 32 GB, Wi-Fi padrão N, Bluetooth 4.0, A-GPS e Android 4.4.4 KitKat. Não há suporte para o padrão Qi de recarga sem fio.

Hugo Barra, o vice-presidente da Xiaomi, garantiu que o Redmi 2 vai receber a atualização para o Android 5.0 Lollipop, mas ainda não há uma data prevista para que isso aconteça.

Sistema

A Mi UI é uma personalização de interface muito popular no mundo. Desde 2010, ela já foi usada em 100 milhões de smartphones Android. Isso acontece porque é possível instalar essa interface por meio de um app gratuito na Google Play. Diferentemente do que acontece com a Touchwiz, da Samsung, o sistema se mostrou fluído, ainda que não haja mais do que 1 GB de RAM.

Colorida, a Mi UI é repleta de animações que deixam o smartphone com um visual mais dinâmico do que o que vemos no Android quase puro do Moto G. Por exemplo, para apagar um aplicativo, você deve pousar o dedo sobre ele durante dois segundos e, então, arrastá-lo para cima. Após confirmar a desinstalação, o app explode em milhares de pedacinhos.

Sem dúvidas, o recurso mais útil trazido pela Xiaomi ao seu smartphone é a forma de organizar aplicativos na tela inicial. Em vez de termos que levar os apps um a um até algum outro ponto da tela, a Mi UI permite que você carregue dois ou mais de uma vez. Para isso, é preciso fazer um movimento de pinça sobre a tela – ou um “belisquinho”, como disse Barra na apresentação –, e então uma “gaveta” aparece. Depois de arrastar os apps para esse compartimento temporário, que fica no canto inferior da tela, basta deslizar o dedo lateralmente até chegar no local para o qual você desejar mover os apps e colocá-los em seus devidos lugares.

Também é mais fácil mover um só aplicativo. Após segurá-lo por pouco menos de 2 segundos, você pode usar um dedo da outra mão para trocar de tela, evitando a lenta tarefa de levar o app para o canto e esperar que o display se mova até chegar ao seu destino.

Em termos visuais, é impossível não dizer que Mi UI lembra o iOS, o que reforça a comparação da Xiaomi com a Apple. O que essa “Apple chinesa” fez foi modificar o Android de tal forma que temos a sensação de estar com um iPhone em mãos. Não há uma área que mostre todos os apps instalados, tudo fica disposto nas telas iniciais, o que explica o esforço de criar recursos que facilitam mudar os aplicativos de lugar.

Um ponto interessante é que o Google Play Services vem no Redmi 2 vendido no Brasil, apesar de não estar presente no produto em seu país de origem. Ou seja, Play Store, Gmail e companhia já vêm pré-instalados no smartphone, como acontece com qualquer outro Android.

Bateria

Se você está na dúvida sobre qual smartphone que custa menos de 1 mil reais tem a melhor duração de bateria, a resposta é o Redmi 2. Como Hugo Barra ressaltou no evento de lançamento da Xiaomi no Brasil, em junho, com 2 250 mAh, o dispositivo tem 25% mais bateria do o iPhone 6 (1 810 mAh).

Durante os testes de uso intenso do INFOlab, o gadget suportou por mais de 9 horas, enquanto os concorrentes aguentaram menos de 7 horas. Em um teste de uso moderado, a bateria do aparelho da Mi chegou a durar 24 horas. Essa é uma marca bem acima da média da categoria e até mesmo alguns dispositivos topo de linha, como os iPhones 6 e 6 Plus e o Xperia Z3, não têm uma autonomia de uso tão grande.

Câmera

É no quesito câmera que o Redmi 2 vence o Moto G com folga. O aparelho tem câmera principal de 8 MP com flash LED e HDR. É por conta desse último recurso que esse Mi consegue registrar imagens com uma qualidade superior à dos concorrentes.

O que o High Dynamic Range (ou Grande Alcance Dinâmico, em português) faz é criar uma foto a partir da captura de informações de luz de uma mesma cena com tempos de exposição diferentes. Isso resulta numa fotografia com bom nível de detalhe e fidelidade de cor. Uma curiosidade: essa técnica que está presente em boa parte dos smartphones mais caros foi desenvolvida pelo fotoquímico especializado em fotos de alta velocidade Charles Wyckoff, na década de 1940, para observar melhor explosões nucleares.

Um ponto negativo no quesito câmera é que, com o HDR ativo, o tempo de resposta entre o clique no botão e a captura é longo, chega a quase 2 segundos. Ou seja, se você precisar de agilidade para fotografar, desative o recurso. O problema é que aí o resultado não é tão bom.

No quesito software de câmera, o Redmi 2 se destaca por conta com uma série de filtros automáticos, bem parecidos com os do Photobooth, o programa de fotos dos MacBooks, da Apple. Fora isso, há também a possibilidade de fazer ajustes finos de imagem, o que agrada quem prefere a regulagem manual.

Veja alguns exemplos:

Foto tirada com um Moto G de primeira geração no modo automático:

Foto por: Lucas Agrela

Foto tirada com um Redmi 2 no modo automático:

Foto por: Lucas Agrela

Fotos com o Redmi 2:

Foto por: Lucas Agrela

Foto por: Lucas Agrela

Entre os recursos que merecem menção está o Beautiful. O que ele faz é usar um efeito que lembra o sharpen, do Photoshop, para melhorar aparência da pele do rosto das pessoas. Imperfeições como espinhas ou pequenas rugas são praticamente eliminadas das fotos.

Foto por: Lucas Agrela

A câmera dianteira foi desenvolvida pensando nas selfies. Ela não tem opções de filtros como a câmera principal e o Beautiful não funciona nesse modo. Logo que a ativamos, notamos que o software tem uma função propícia para brincadeiras entre amigos que vão tirar um retrato juntos: o programa tenta adivinhar a sua idade com base na aparência do seu rosto. Nos testes do INFOlab, foi possível constatar que homens com barba são identificados como mais velhos, enquanto os que têm rosto liso são apontados como mais jovens. A expressão facial também importa. A câmera também se mostrou generosa com as mulheres, dando a elas menos idade do que realmente têm.

Foto por: Lucas Agrela

Foto por: Reprodução

Foto por: Reprodução

Para vídeos, o Redmi 2 sofre pela falta de estabilização óptica. Ou seja, gravar vídeos em um show com ele, por exemplo, não será uma boa ideia. A ausência desse recurso faz com que pequenas tremidas da mão do usuário apareçam no vídeo. Claro que esse ponto pode ser relevado em face dos demais recursos da câmera. Exceto se você tem o costume de gravar muitos vídeos com o smartphone.

Vale a pena?

O Redmi 2 é um smartphone de baixo custo que oferece uma experiência completa ao consumidor. O aparelho tem a melhor relação custo-benefício de 2015, ao menos, até o momento, por reunir boa câmera, preço reduzido e uma longa duração de bateria. O ônus é a personalização do Android, que desagrada os que preferem aparelhos com uma versão mais pura do sistema, como encontramos nos dispositivos da Motorola. Mas o que o Redmi 2 mostra com clareza é que, se você tem algum tipo de preconceito com produtos chineses, pode deixá-lo de lado.

Ficha técnica

Sistema operacional Android 4.4.4 KitKat
Chipset Qualcomm Snapdragon 410
CPU (SoC) Quad-core 1.2 GHz Cortex-A53
GPU (SoC) Adreno 306
RAM 1 GB
Armazenamento 8 GB + microSD de até 32 GB
Conexões 4G, Wi-FI N, Bluetooth 4.0
Tela 4,7”(1 280 por 720 pixels)
Peso 136 gramas
Bateria 9h09min
Câmeras 8 MP e 2 MP

Avaliação técnica

Prós Ótimo custo-benefício; boa câmera; bateria de longa duração
Contras Android desatualizado
Conclusão Forte concorrente do Moto G e do Zenfone 5
Configuração 8,6
Usabilidade 8,1
Foto 7,5
Bateria 8,4
Design 7,5
Foto 8,2
Média 8.1
Preço R$ 499

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